EFELisboa

O Governo português pediu esta quarta-feira à Inspeção Geral da Administração Interna que abra uma investigação à atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) na celebração do campeonato do Sporting na noite de terça-feira, marcada por tumultos.

A investigação foi anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, no Parlamento, onde afirmou que também foi solicitada à PSP informação sobre a forma como tinha sido articulado o planeamento do dispositivo de segurança com o clube, a Câmara Municipal de Lisboa e a Direção-Geral da Saúde.

Milhares de adeptos foram às ruas na terça para celebrar o primeiro campeonato ganho pelo Sporting em 19 anos, o que levou a numerosas cargas policiais e feridos, tanto nas proximidades do estádio durante o jogo -realizado sem público- como no Marquês de Pombal, o centro das celebrações na madrugada.

Costa não quis apontar o dedo ao clube, aos adeptos ou à polícia pelo que aconteceu.

"Vou fazer o que qualquer político responsável nestas circunstâncias deve fazer, que é esperar pela informação e que o que aconteceu seja esclarecido, a fim de assumir as responsabilidades necessárias", disse.

Para além dos tumultos e dos feridos, a situação também suscitou alarmes sobre a situação pandémica, pois havia multidões sem respeito pelo distanciamento social e muitos dos participantes não estavam a usar máscaras.

"Esperemos que isto não tenha custos (de saúde)… Só saberemos dentro de 15 dias ou três semanas", disse o presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, referindo-se a possíveis surtos de covid que poderão ser desencadeados, e assegurou que "a noite não correu bem do ponto de vista da saúde pública".

Rebelo de Sousa também expressou o seu desconforto pela falta de previsão, uma vez que, na sua opinião, "quem ali devia prevenir são as entidades responsáveis e todos os cidadãos", afirmou.

O Sporting, faltando duas jornadas para o fim do campeonato, sagrou-se campeão na noite de terça-feira após vencer em casa o Boavista por 1-0.