EFELisboa

O Governo português considera "compreensível" o conselho feito por França para que os seus cidadãos não façam férias em Portugal devido ao aumento de casos de coronavírus e recordou que mesmo com as regras acordadas para facilitar a circulação dentro da União Europeia (UE) podem-se "desincentivar" viagens.

"A situação de Portugal no que diz respeito à pandemia agravou-se e as preocupações de um Estado amigo, como a França, em relação aos seus cidadãos, no que diz respeito à possibilidade de viajarem para Portugal, são compreensíveis", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em declarações recolhidas pela imprensa local.

"Trata-se de um conselho", acrescentou o ministro, que recordou que, apesar de que desde 1 de julho a circulação dentro da UE é livre com o certificado digital, há exceções.

"Nas zonas consideradas vermelho-escuro, de muito alta prevalência do vírus, o Estado-membro pode desencorajar viagens a essas zonas", apontou Santos Silva.

No entanto, ressaltou que as viagens de emigrantes que se pretendem reunir com as suas famílias, uma situação recorrente a cada verão dado o elevado número de portugueses que vivem em França, são consideradas deslocações essenciais.

(Estes portugueses) "devem ter as preocupações que já divulgamos, como que quem não tiver vacinado faça um teste de covid-19", disse.

A situação em Portugal tem vindo a piorar nas últimas semanas com a variante delta, que conta já com uma prevalência de quase 90%, e levou o Governo a prever 4.000 novos casos por dia até meados de julho, o dobro do número da semana passada.

A recomendação de Paris aos seus cidadãos, que também abrange Espanha, prejudica ainda mais as previsões para Portugal de um verão já complexo, depois de ter sido incluído na lista âmbar do Reino Unido -o seu principal mercado- e na lista vermelha da Alemanha, que esta semana recuou, embora os danos já se façam sentir no Algarve (sul).

"O aumento do número de novas infeções por 100.000 habitantes é um sinal de alarme e temos de reduzir esse número", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros português, porque para além do impacto na saúde existem "efeitos negativos no turismo" e na economia que "são evidentes".