EFELisboa

O ministro das Finanças de Portugal, Fernando Medina, defendeu esta quinta-feira que uma política mais expansionista pode vir a estender a inflação a toda a economia, o que seria "mais difícil de conter" e afetaria os mais vulneráveis.

"Enfrentar esse palco de efeitos de segunda ordem de forma generalizada seria uma realidade bem mais difícil e, acima de tudo, bem mais penalizadora para os estratos mais vulneráveis", assinalou Medina num encontro com correspondentes estrangeiros em Lisboa.

Medina defendeu uma estratégia para "conter os aumentos de preços e apoiar diretamente os segmentos mais vulneráveis da população" ao invés de uma que possa conduzir a um "aumento generalizado dos preços na economia".

O Governo português defendeu nos últimos meses que não haverá aumentos de rendimentos este ano para além dos previstos -o salário mínimo aumentou de 665 para 705 euros e houve um aumento extraordinário de 10 euros para as pensões- de modo a não alimentar a inflação.

O ministro das Finanças recordou também na quinta-feira que, dentro da Zona Euro, os países partilham a soberania monetária, "mas cada um deles não tem o seu próprio banco central autónomo para poder adaptar e moderar o ritmo da política monetária de acordo com as suas necessidades".

A inflação homóloga em Portugal foi de 7,2% em abril, onde o Governo prevê que feche o ano em 4%.

"A melhor informação disponível por parte de instituições internacionais como o Banco Central Europeu aponta que será um fenómeno temporário", ressaltou Medina, que assinalou que "acompanharão" a evolução da inflação durante o ano.

"PRUDÊNCIA" COM REGRAS EUROPEIAS

O ministro das Finanças também se referiu às regras de défice e dívida que, à falta de confirmação oficial, a Comissão Europeia manterá também suspensas durante 2023, uma postura que Portugal apoia por "prudência".

"Perante uma situação de incerteza pela evolução dos preços e da economia nos países do centro e no leste da Europa, onde já são evidentes os sinais de desaceleração, e num momento no qual a política monetária iniciará o processo de subida das taxas de juro, é importante não criar um elemento adicional de risco", defendeu.

Medina recordou que Portugal já está a cumprir as regras de déficit e dívida, apesar de estarem suspensas, e considerou que isso dará mais peso ao país para negociar no futuro uma reforma deste regime.

"Entraremos nesse debate na posição de quem está a cumprir as regras. Isso é importantíssimo para o nosso país porque aumenta o peso da nossa voz e a nossa capacidade de negociação", disse o ministro, que no entanto enfatizou que as discussões estão ainda num estado "prematuro".