EFELisboa

O Governo português está a negociar com os hotéis para que estes possam receber estudantes universitários no próximo ano, uma possível solução para a redução de camas nas residências causada pelas medidas de segurança para o coronavírus.

O acordo, avançado hoje pelo jornal "Público", ainda não está fechado, indicaram à EFE fontes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pela Associação de Hostels de Portugal, que estão em conversas para chegar a um acordo durante, pelo menos, um ano académico.

Uma vez que o pacto não está fechado, muitos detalhes permanecem no ar, mas a ideia principal é que estes alojamentos dedicados ao turismo, e com uma perda significativa de clientes com a COVID, possam começar a alojar estudantes.

Isto resolveria dois problemas, dado que a distância de segurança necessária de quase dois metros imposta pela pandemia forçou a reorganização de algumas residências universitárias, com o resultado de uma possível perda de até 3.000 camas, segundo o jornal "Público".

Seria uma redução de 20% na oferta de alojamento em residências, que abrange 15.370 estudantes, acrescenta o jornal.

O futuro acordo entre o Governo e os hostels seria aplicado nas principais cidades do país: Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, que concentram o maior número de estudantes e perdas turísticas, pelo que é "um bom casamento", nas palavras do Secretário de Estado da Ciência e do Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira.

"Os hostels garantem rendimento durante um ano, o que lhes permitirá manter a estrutura numa altura em que sofreram uma caída de clientes, e nós conseguimos encontrar uma solução para o alojamento de estudantes", disse o Secretário de Estado ao "Público".

Por enquanto estudam-se opções que são compatíveis com as normas de segurança -não são permitidos beliches, por exemplo- e também o protocolo a ser seguido, que se espera que inclua contratos que sejam assinados diretamente entre hotéis e instituições de ensino superior.

"Estamos basicamente a preparar uma lista de parceiros para a Secretaria de Estado que acreditamos terem as condições e que são de boa qualidade", explicou à EFE Rui Magro Correia, presidente da Associação Portuguesa de Albergues.

A partir daí, comenta, caberá a cada estabelecimento chegar a um acordo com a instituição de ensino para determinar se dedicará parte ou a totalidade das suas instalações aos estudantes, bem como outros detalhes.

Este projeto é conhecido no mesmo dia em que se abre o processo de acesso a 51.408 vagas para novos estudantes universitários no próximo ano, o número mais elevado em sete anos.