EFEVilar Formoso (Portugal)

O Governo português realizou esta quinta-feira uma reunião em Vilar Formoso (Portugal), na fronteira com a região espanhola de Fuentes de Oñoro (centro-oeste), para promover projetos de desenvolvimento económico transfronteiriço que impulsionem o comércio conjunto em ambos lados da Raia.

Na reunião, realizada no Centro de Desenvolvimento da fronteira (CEDET) de Vilar Formoso, participaram vários secretários de Estado lusos e o autarca do conselho de Almeida (ao qual pertence Vilar Formoso), António Machado, para definir as ações a desenvolver.

A porta-voz do grupo de trabalho criado, a secretária de Estado de Turismo Ana Mendes Godinho, assegurou após a reunião que há questões que precisam de "um trabalho conjunto com Espanha", como a reabilitação do denominado "Parque TIR", um dos centros de descanso diário de milhares de camionistas que fazem rotas entre a península ibérica e o resto da Europa.

Godinho também se referiu à "necessidade" de trabalhar conjuntamente, "porque todos ganhamos", para que haja boas ligações aos lances de rodovia internacional que vai entrar em serviço no final de 2020 e que irá unir a A-25 portuguesa e a A-62 espanhola, pelo que se poderá ir por estrada desde Irún (fronteira espanhola com França) até Lisboa, sem qualquer lance de estrada nacional, assim que os cerca de oito quilómetros ainda por concluir sejam terminados.

A secretária de Estado de Turismo também avançou que irão reabilitar um inovador posto de turismo na fronteira com um concurso de ideias que lançarão dentro de poucos dias.

O autarca de Almeida, comarca que faz fronteira com Fuentes de Oñoro, explicou depois da reunião que um dos objetivos de desenvolvimento conjunto desta zona transfronteiriça é a criação de uma eurocidade.

Para isso, adiantou, já tiveram "algumas reuniões" com autarcas espanhóis, já que a intenção é que a futura eurocidade abranje tanta a comarca de Almeida como os seus vizinhos espanhóis da comarca de Ciudad Rodrigo.

O alvo destas reuniões é que esta área fronteiriça, com muita atividade empresarial, já que diariamente cruzam a fronteira por Fuentes de Oñoro e Vilar Formoso uma média de 5.000 veículos, não sinta o possível "efeito túnel" do traço de estrada internacional que entrará em serviço no próximo ano, assim que as obras de ambos lados terminem.

O autarca de Fuentes de Oñoro, Isidoro Alanís, explicou hoje à EFE que "o objetivo é desenvolver ações que atenuem as centenas de postos de trabalho que se perderão com a entrada em funcionamento da nova estrada".

Para isso, a Câmara Municipal de Fuentes de Oñoro trabalha há alguns anos na criação de um polígono industrial que será um polo de atração de empresas e que estará situado na região fronteiriça com uma disposição de 55 hectares.

"Este polígono poderá entrar em funcionamento em dois anos e a partir do próximo mês de setembro criaremos um gabinete para atrair empresas que possam instalar-se lá", explicou Alanís.

Além disso, trabalham na mudança de normas urbanísticas para habilitar junto à estrada 100.000 metros quadrados privados nos quais também se possam assentar empresas de todo o tipo.

Também lembrou que estão à espera que o Ministério das Obras Públicas de Espanha dê início a uma área de serviço junto à fronteira.

"Esperamos que antes do fim de ano se aprove definitivamente" a criação desta área de serviço, concluiu.

Para desenvolver estas ações previstas, o grupo de trabalho português voltará a reunir-se no próximo 8 de novembro na fronteira de Vilar Formoso.