EFELisboa

A secretária geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, advogou hoje em Lisboa por um maior investimento em infraestrutura e tecnologia e melhorar a qualidade da educação para que a América Latina aproveite a revolução digital e, com isso, aumente a sua produtividade.

"Para que a América Latina faça esse salto essencial para a revolução de produtividade, o que precisamos? Precisamos de duplicar o nosso investimento em infraestrutura e logística, quadruplicar o nosso investimento em ciência e tecnologia, aumentar a nossa qualidade educativa", expôs na capital portuguesa.

Grynspan, de visita a Portugal desde esta segunda-feira, participou hoje no seminário "UE-América Latina: Desafios da transformação digital e do conhecimento no Espaço Ibero-americano. Áreas de Cooperação com a União Europeia", organizado pela Casa da América Latina, a Fundação Luso-espanhola e a Fundação Euroamérica.

A secretária-geral ibero-americana ofereceu uma radiografia da situação da região perante a transformação digital, que na América Latina foi "ainda mais acelerada que no resto do mundo".

Neste sentido, deu como exemplo de que internet passou de ser utilizada na região por 17% da população em 2005 a mais "de 56% em 2016".

"As tecnologias e serviços móveis já geram 5% do produto interno bruto da região latino-americana. São quase 350 milhões de utilizadores de internet na atualidade e 420 milhões projetados para 2020", acrescentou.

Segundo os seus cálculos, "um aumento mais ou menos de cinco pontos no índice de digitalização das economias latino-americanas levaria a um aumento de 17% no índice de inovação".

Seria "uma aposta vencedora" na região, pelo que há que "fechar a lacuna digital, assegurar o acesso e a adoção da tecnologia por parte da população, mas fechar a lacuna digital não vai fechar os problemas", comentou.

Grynspan destacou que apesar da "adicção" à tecnologia observa-se como "a digitalização produziu um ataque de pânico, porque a maioria das pessoas acredita que vão ficar sem emprego pela automatização, a robotização".

É, ao seu julgamento, um receio que faz parte das piores "estimativas", que são "muito pessimistas a respeito desta revolução industrial".

"O que parece certo é que metade dos trabalhos de quem está agora na escola não foram ainda criados", disse.

Por isso considera fundamental focar-se em transformar o seu sistema para que potencialize as habilidades do pensamento crítico, da comunicação oral e escrita, o analítico", tarefas que os robôs não podem definitivamente fazer.

A intervenção de Grynspan foi precedida pela do ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que advogou por concluir "esta primavera" o acordo entre a UE e o Mercosul.

"Ninguém compreenderia que não fizéssemos o muito pouco que é necessário fazer para concluir nesta primavera" o acordo, disse.