EFELisboa

Rui Pinto, o hacker português por trás do chamado "Futebol Leaks" e atualmente detido por fraude informática, é também responsável pela divulgação do "Luanda Leaks", que destapa a trama utilizada pela angolana Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África, para desviar fundos públicos a paraísos fiscais.

Os advogados de Pinto, o francês William Bourdon -que representou Edward Snowden e Julian Assange, entre outros- e o luso Francisco Teixeira da Mota, informaram hoje ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), o organismo que recebeu o expediente, de que o jovem português está na origem da divulgação dos documentos.

"Rui Pinto assume a responsabilidade de ter entregue, no final de 2018, à Plataforma de Proteção de Denunciantes em África (PPLAAF), um disco duro com todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel dos Santos, a sua família e todos os indivíduos que possam estar envolvidos em operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano e, eventualmente, de outros países", assinala o comunicado.

Os advogados afirmam, na mensagem enviada à ICIJ e reproduzida por média portugueses que participam na investigação, que Rui Pinto tentou "ajudar a entender as operações complexas conduzidas com a cumplicidade de bancos e juristas que não só empobreceram o povo e o Estado de Angola, como podem ter prejudicado seriamente os interesses de Portugal".

O "Luanda Leaks" é formado por mais de 715.000 arquivos o "Luanda leaks", que revela as manobras de Duas Santos -filha do expresidente José Eduardo dois Santos, que governou Angola durante 38 anos- para espoliar fundos públicos enquanto esteve à frente da petrolífera angolana Sonangol.

O escândalo agitou o país africano e o setor financeiro em Portugal, onde Santos teceu boa parte do seu império com participações -vendidas nos últimos dias- em algumas das principais empresas do país, como EuroBic, Efacec ou a NOS.

O caso agravou-se na passada quinta-feira com a morte -suicídio, segundo as primeiras investigações- do diretor de banca privada do EuroBic, Nuno Ribeiro da Cunha, assessor financeiro de Isabel dos Santos e peça chave no desvio de dezenas de milhões da Sonangol.

Rui Pinto foi também o responsável pela divulgação do chamado "Futebol Leaks", que destapou delitos de evasão fiscal e manipulação de resultados, entre outros, e que levou ao processamento de vários jogadores.

Pinto está preso em Portugal desde março do ano passado sob acusações de mais de uma centena de delitos -entre eles fraude informática e tentativa de extorsão- depois de ser extraditado desde a Hungria após o escândalo do "Futebol Leaks".