EFELisboa

Os hospitais portugueses começam a organizar-se para enfrentar a complicada próxima semana, para a qual se calcula um aumento de 80% dos hospitalizados e a passagem da marca de internados em cuidados intensivos da primeira vaga.

Com a pressão hospitalar em aumento -Portugal tem atualmente 1.672 pacientes covid internados, o número mais alto de toda a pandemia- alguns hospitais da área de Lisboa e no norte, a zona mais afetada pela expansão da curva, começam a avisar de que vai ser preciso tomar decisões nos próximos dias.

No hospital São João, o maior do norte, 40% das camas de cuidados intensivos está já ocupada por pacientes de coronavírus, e o seu responsável de Urgências, Nélson Pereira, advertiu que se a situação piorar, as cirurgias programadas terão que se reajustar e inclusivamente não haverá sítio nos cuidados intensivos para outros pacientes.

"A nossa preocupação não é o dia de hoje, que é extremadamente exigente. O que nos preocupa é mantermo-nos numa curva ascendente", explicou à imprensa portuguesa.

Este hospital calcula que terá que vir a suspender 20% das cirurgias programadas.

No hospital de Amadora-Sintra, na periferia de Lisboa, profissionais de saúde começam a advertir à imprensa que a situação se aproxima de limites complicados e que já procuram formas de libertar mais camas nesta mesma semana.

A pressão sobre os hospitais concentra a preocupação na segunda vaga de covid em Portugal, onde se espera que o número de pacientes hospitalizados por coronavírus aumente mais de 80% até à próxima semana, até passar dos 3.000 internados no dia 4 de novembro, com 444 nos cuidados intensivos.

A previsão baseia-se em cálculos do Instituto Ricardo Jorge baseados na tendência atual, explicou a ministra da Saúde, Marta Temido, que descreveu a situação de "complexa e grave".

Sobretudo nos cuidados intensivos, onde há atualmente 240 pacientes covid e onde se espera que esta semana se passe o máximo registado durante a primeira vaga (271 pacientes).

Portugal registou 121.133 casos confirmados e 2.343 vítimas mortais desde o início da pandemia.