EFELisboa

A soma total do investimento que chega a Portugal através dos "vistos gold" -vistos outorgados a quem realiza desembolsos de envergadura no país, geralmente imóveis- caiu 30% em agosto em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

É a conclusão dos dados sobre concessão de Autorização de Residência para Investimento, o nome oficial dos "vistos gold", outorgados, entre outros critérios, a quem compre casa no valor de mais de meio milhão de euros.

O mecanismo tornou-se nos últimos anos numa relevante fonte de investimento, que viveu este ano momentos complicados pelas restrições provocadas pela pandemia de COVID nos principais países de origem dos que investem: China, Estados Unidos e Brasil.

Em março e abril, meses marcados por estados de emergência e severas restrições de viagem, o investimento captado em Portugal através dos "vistos gold" caiu 40%, algo que se esperava que recuperasse assim que essas regras fossem suavizadas.

Mas os dados de agosto apontam a outra descida acusada.

No total, o investimento captado nesse mês foi de 57,6 milhões, enquanto os conseguidos em agosto de 2019 foram 82,5.

No mês passado foram atribuídos 107 "vistos gold", a maioria por aquisição de imóveis (97) e os restantes por critério de transferência de capital.

Do montante captado, 50,1 milhões foram através de compra de imóveis.

Dos vistos concedidos, 36 foram para pessoas oriundas da China, 12 do Brasil, 10 da Rússia, 8 da África do Sul e 7 dos Estados Unidos.

Caso se comparam os dados desde o início deste ano, o resultado é que o investimento captado pelos "vistos gold" ascende a 496 milhões de euros, ou seja, menos 10% face ao mesmo período do ano anterior.

No total, entre janeiro e agosto foram concedidos 915 "vistos gold".

O programa tem sete anos de vida, nos quais foram captados cerca de 5.500 milhões de euros, cerca de 5.000 dos quais destinados à compra de imóveis.

O Governo português anunciou há meses que iria rever o regime e que já não se poderia obter a residência com a compra de imóveis em Lisboa e Porto, modificação que ainda não entrou em vigor.

Perguntado recentemente pela EFE sobre se a modificação prevista para este ano vai finalmente avançar, fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros limitaram-se a assinalar que a autorização legislativa para o fazer está em vigor durante todo o ano de 2020.