EFELisboa

O ex-ministro da Defesa José Azeredo Lopes foi constituído arguido pela Justiça portuguesa devido à sua atuação durante o roubo de armas do depósito militar de Tancos, ocorrido em junho de 2017, que levou à sua demissão no passado mês de outubro.

A figura de arguido implica que o ex-ministro forma já oficialmente parte do processo judicial aberto para elucidar quem foram os responsáveis do furto de explosivos e munição de Tancos, no qual já fazem parte pelo menos 22 pessoas, a maioria militares, constituídas como "arguidos".

A Procuradoria considera que há suspeitas de que o ex-ministro tenha supostamente cometido os crimes de "prevaricação" e "denegação de justiça" ao supostamente ter entorpecido a investigação do roubo, segundo avança a imprensa portuguesa, algo que Azeredo Lopes classifica de "inexplicável".

"Esta condição, se é verdade que me garante mais direitos processuais, é absolutamente inexplicável tendo em conta os factos relativos ao meu envolvimento do processo, que foi apenas de tutela política", afirma num comunicado enviado à imprensa local.

O ex-ministro, que afirma que passar a ser arguido neste caso lhe "desgosta" e "aflige" porque "é socialmente destrutivo", diz-se seguro de que será totalmente ilibado de qualquer responsabilidade porque, assegura, não fez nada "ilegal ou incorreto".

Azeredo Lopes foi alvo de várias críticas por suposto descontrolo -chegou a dizer numa audiência parlamentar que não sabia se foram recuperadas todas as armas- e, após a sua demissão em outubro, chegou inclusivamente a ser assinalado como conhecedor da trama elaborada por militares para fazer reaparecer o material roubado.

O caso de Tancos, que remonta a junho de 2017, é considerado como um dos maiores escândalos dos últimos anos em Portugal e atinge especialmente o prestígio das suas Forças Armadas, reverenciadas desde a Revolução dos Cravos.

A polémica está motivada em primeiro lugar pela magnitude do roubo do depósito militar, explosivos e munição avaliados em 34.000 euros, mas também pelo suposto envolvimento de militares.

A Procuradoria suspeita que a recuperação do armamento, conseguida quatro meses mais tarde a apenas vinte quilómetros do armazém do qual foi roubado, foi uma montagem elaborada por vários militares para proteger o suposto autor do roubo, um ex-soldado com o qual mantinham vínculos de amizade.