EFELisboa

A Justiça portuguesa ratificou a condenação imposta ao líder do partido de extrema-direita Chega, André Ventura, por ofensas ao direito à honra de uma família de um bairro marginal de Lisboa.

Ventura terá que pedir publicamente desculpas aos afetados, moradores do bairro da Jamaica, numa das zonas mais empobrecidas e castigadas dos arredores de Lisboa.

As ofensas remontam a janeiro, quando Ventura descreveu como "bandidos" os membros de uma família desse bairro que apareciam numa fotografia junto ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tirada numa visita ao local durante a campanha para as eleições presidenciais.

O bairro da Jamaica esteve no centro da agenda mediática em 2019 depois de confrontos entre polícias e moradores, que acabou por gerar debate sobre as condições em que os habitantes do local vivem, em casas precárias e em muitos casos sem os serviços mais básicos.

Um tribunal de Lisboa condenou Ventura em maio passado em primeira instância a pedir desculpas públicas nos mesmos meios nos quais as declarações ofensivas foram originalmente divulgadas: três canais de televisão e o perfil do partido no Twitter.

O líder do Chega recorreu e sofreu um novo revés da Justiça portuguesa.

Ventura, que ficou em terceiro nas presidenciais com 11,9% dos votos, protagonizou várias polémicas relacionadas com mensagens racistas e xenófobas, como quando propôs deportar uma deputada negra de esquerda ou quando pediu para confinar a comunidade cigana durante a pandemia.