EFELisboa

O autarca de Lisboa, o conservador Carlos Moedas, recusou esta segunda-feira limitar os arrendamentos porque criam "distorção" no mercado e apostou por soluções que combinem o público e o privado para resolver os problemas de acesso à habitação na cidade.

"Nunca funcionou", disse Moedas sobre limitação de arrendamento durante um encontro com correspondentes estrangeiros em Lisboa, no qual defendeu que essa medida "cria distorção no mercado e tem um efeito perverso".

Moedas, do PSD (centro-direita) e autarca de Lisboa desde que ganhou as municipais em setembro, considerou que "não há soluções mágicas" para o problema de habitação na capital portuguesa, onde os preços dos arrendamentos e de venda dispararam nos últimos anos.

"A solução passa por uma combinação do público e do privado", defendeu o presidente da Câmara, que explicou que se está a preparar a "Carta de habitação", uma "radiografia" da situação para identificar espaços públicos para criar habitações sociais e de renda acessível, embora não tenha revelado quando estará pronta nem quantas pessoas pode beneficiar.

Moedas disse que é necessário haver "mercado privado", e apostou por acelerar a concessão de licenças para construção, assim como a oferta pública "para quem não pode pagar".

VISTOS GOLD COM PRÓS E CONTRAS

O presidente da Câmara admitiu que uma das causas do aumento de preços são os "vistos gold" -vistos outorgados por investimentos no país, entre estes os imobiliários-, mas defendeu que este instrumento também traz "emprego" e "melhoria nas condições de vida".

O Governo central, de índole socialista, modificou o regime dos "vistos gold", e a partir de 2022 os investimentos imobiliários em Lisboa irão deixar de contar, o que Moedas considera um "erro".

"Portugal tem um problema de capital muito grande, não há base de capital. Quanto mais capital possamos ir procurar a países estrangeiros, melhor para o país", disse Moedas, que assinalou que em Lisboa fazem falta estes investimentos.

Um dos projetos estrela do autarca para atrair capital e talento a Lisboa é criar uma "fábrica de unicórnios" -startups com um valor de mercado superior a 1.000 milhões- no atual centro de inovação da capital, o Hub do Beato.

"O grande problema é o processo de crescimento da empresa, e para isso temos que ter um lugar em Lisboa onde essas pessoas possam ter a mentoria de quem já fez empresas grandes", explicou, e assinalou que estão a trabalhar com Nuno Sebastião, o diretor-executivo da Feedzai, um dos unicórnios portugueses.

"Há muito poucos lugares na Europa onde vemos este processo de crescimento de uma empresa acompanhado", disse Moedas, que assegura que é um "desafio" que se pôs a si mesmo.

Moedas quer também "repensar" a estratégia turística da cidade, para promover um turismo "mais estável e não só de massas, mas sim de valor acrescentado".