EFELisboa

90% das pessoas que trabalham nos blocos operatórios de Portugal estão hoje inativos devido ao segundo dia da greve realizada pelos médicos do país, que exigem mais recursos financeiros e humanos para manter a saúde pública.

O dado, que inclui anestesistas, cirurgiões e enfermeiros dos blocos operatórios, foi divulgado à imprensa portuguesa pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), convocante deste segundo dia de greve.

O primeiro foi marcado pelo Sindicato Independente dos Médicos, que informou que esta terça-feira entre 75% e 85% dos médicos aderiram à greve, que afetou blocos operatórios, consultas externas e medicina familiar.

A greve nacional de 48 horas, à qual se juntaram depois os enfermeiros, foi convocada pela "dignidade da profissão e por um melhor serviço nacional de saúde", segundo os seus responsáveis, que exigem mais recursos para poder atender os pacientes.

Entre outras reivindicações, pedem a redução das listas de consultas, a limitação do tempo de espera nas urgências e uma nova oferta salarial, que deveria ter acontecido "em janeiro de 2015", defende.

A greve de dois dias vai terminar com uma concentração marcada para esta tarde frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, onde o responsável da FNAM, João Proença, pediu uma assistência massiva.

"Ou a política da saúde muda ou acabam os serviços de saúde públicos", advertiu em declarações à imprensa.

A ministra da Saúde de Portugal, Marta Temido, disse em resposta a esta greve que o Governo conhece perfeitamente as reivindicações dos médicos, mas ressaltou que não podem ser "atendidas".

"Dissemos que neste momento essas reivindicações não são suscetíveis de serem atendidas", disse à imprensa em Lisboa, frente aos quais ressaltou que é "necessário ter um equilíbrio entre diversas áreas da administração pública", em referência ao equilíbrio orçamental.

As denúncias de enfermeiros e médicos foram frequentes nos últimos meses, nas quais lembraram que o orçamento para a saúde pública lusa em 2018 ficou em 4,3% do PIB nacional, a menor percentagem dos últimos 15 anos.