EFELisboa

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que 2018 deve ser o ano para reinventar o futuro do país após as tragédias provocadas pelos incêndios em 2017 e pediu "empenho" para trabalhar no que falhou.

Na sua mensagem de Ano Novo, transmitida pela primeira vez em direto desde o seu domicílio de Cascais, Rebelo de Sousa pediu "o mesmo empenho" no que falhou em 2017 do que no que teve sucesso, o qual exige uma "reinvenção" do futuro.

O chefe do Estado português, que está a recuperar de uma operação de hérnia umbilical que lhe manteve hospitalizado até domingo, ressaltou que essa reinvenção é "mais do que mera reconstrução material e espiritual" das perdas causadas pelos incêndios, que provocaram mais de um centenar de mortos em junho e outubro.

Nesse sentido, apelou a não deixar de lado as zonas do país mais "esquecidas" e a reinventar a confiança dos portugueses na sua segurança.

Essa confiança "é mais do que estabilidade governativa, finanças sãs, crescente emprego, rendimentos", disse o presidente conservador, que detalhou que é "ter a certeza de que, nos momentos críticos, as missões essenciais do Estado não falham nem se isentam de responsabilidades".

"Temos de converter as tragédias que vivemos em razão mobilizadora de mudança", acrescentou Rebelo de Sousa, que considerou que se o ano tivesse acabado em 16 de junho (um dia antes do incêndio de Pedrógão Grande, que causou 64 mortos), "poderíamos falar de uma experiência singular, constituída quase apenas por vitórias".

Neste ano "estranho e contraditório" para os portugueses, o chefe do Estado português lembrou também alguns dos acontecimentos vividos pelo país, como as boas notícias económicas, e deixou uma menção tanto ao atual Governo socialista como ao anterior Executivo, de signo conservador.

"Ninguém imaginaria, há menos de dois anos, poder partilhar tão rápida e convincente mudança. Sem dúvida iniciada no ciclo político anterior, mas confirmada e acentuada neste, que tão grandes apreensões e desconfianças havia suscitado, cá dentro e lá fora", afirmou.

Rebelo de Sousa também lembrou outros eventos de 2017, como o falecimento do ex-presidente Mário Soares, a visita do papa Francisco no centenário do santuário de Fátima ou a vitória do cantor Salvador Sobral na Eurovisão.