EFELisboa

O ex-ministro das Finanças de Portugal e presidente saliente do Eurogrupo, Mário Centeno, iniciou o seu caminho para se tornar no próximo governador do Banco de Portugal, dado que o Governo português já comunicou formalmente que o elegeu para o cargo.

A eleição do gabinete foi comunicada pelo primeiro-ministro, António Costa, numa carta enviada ao presidente do Parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, um requisito indispensável que arranca o processo para que Centeno suceda ao atual governador, Carlos Costa, que termina o seu mandato no próximo 7 de julho.

Para o conseguir, deverá cumprir o protocolo, que indica que deve ser primeiro ouvido no hemiciclo numa audição ainda não marcada, mas que deverá acontecer nos próximos dias, tendo em conta os prazos de substituição no regulador português.

Apesar da polémica que rodeou o possível futuro de Centeno no Banco de Portugal por eventuais conflitos de interesse de quem desenhou os Orçamentos do país os últimos cinco anos, não são esperados obstáculos no Parlamento.

O Parlamentou chegou a gerir duas normas para travar a ida de Centeno ao Banco de Portugal, uma delas pedindo inclusivamente um período de transição de cinco anos desde a sua saída do Governo até à entrada no regulador, mas os prazos requeridos impedem que estejam prontas a tempo de evitar a nomeação.

Além disso, não haverá críticas excessivas, visto que o PSD (centro-direita), líder da oposição, anunciou que, apesar de que "desaconselha" a nomeação, não se vai opor, considerando que aprovar as leis que procuravam endurecer as condições de Centeno equivalem a "mudar as regras do jogo no final do encontro".

Uma vez conhecida a posição do PSD, fica livre o caminho do ex-ministro das Finanças, cuja ida para o Banco de Portugal se dá como certa no país, faltando apenas detalhes formais e a oficialização.

Centeno, de 53 anos, deixou este mês o Governo de Costa depois de mais de quatro anos como um dos homens fortes do gabinete e com um legado às suas costas baseado numa mão de ferro com as contas, uma estratégia que representou a recuperação de Portugal e que o levou a ser batizado como o "Cristiano Ronaldo" das finanças.