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As medidas implementadas para travar a pandemia da COVID-19 tiveram um impacto direto de pelo menos 660 milhões de euros nas contas públicas de Portugal até abril, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Ministério das Finanças.

Em comunicado, o ministério das Finanças explicou que, no final de abril, o défice das administrações públicas era de 1.651 milhões de euros, mais 341 milhões do que no mesmo período do ano anterior.

Este valor "já mostra os efeitos da pandemia na economia e nos serviços públicos", o que contribuiu para uma deterioração do saldo de, pelo menos, 660 milhões de euros.

A redução das receitas com o adiamento dos prazos de entrega de vários impostos teve um impacto negativo de 320 milhões de défice, enquanto houve um aumento de 345 milhões do gasto derivado de medidas para mitigar a pandemia.

Entre estas medidas, destaque para o regime de "lay-off", que aumentou o gasto em 144 milhões; a adquisição de equipamentos médicos (128 milhões) e outros desembolsos da Segurança Social (54 milhões).

Ao nível global, entre janeiro e abril, as receitas das administrações públicas aumentaram 5%, enquanto os gastos subiram 6,1%.

A receita fiscal aumentou 3,8% devido à redução das devoluções das declarações de impostos, que este ano estão a ser feitas mais tarde, pelo que o número será corrigido nos próximos meses.

As contribuições à Segurança Social aumentaram 4%, mantendo-se a tendência de desaceleração frente aos meses anteriores à chegada da COVID-19, já que até fevereiro este indicador crescia 7,4%.

Os gastos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentaram 12%, principalmente pela subida dos gastos de pessoal, 6%.

O investimento público aumentou 78,6% na Administração central e Segurança Social devido ao plano de investimentos ferroviários e à aquisição de material médico para o combate à COVID-19.

Portugal fechou 2019 com um excedente de 0,2% do PIB, o primeiro registado desde que o país vive em democracia (1974).