EFELisboa

O Ministério Público português, no âmbito da operação "Fora de Jogo", iniciada em março de 2020, realizou hoje cerca de vinte buscas, algumas destas nas instalações de vários clubes de futebol, para esclarecer possíveis delitos de fraude ao fisco ou à segurança social e branqueamento de capitais.

A Procuradoria informou esta quarta-feira em comunicado que, além das instalações de várias sociedades desportivas, estão também a ser efetuadas buscas em empresas e escritórios de advogados.

A origem das investigações parte, segundo a Procuradoria, de possíveis "negócios simulados celebrados entre clubes de futebol e terceiros" para "ocultar rendimentos" que deviam ter sido declarados ao fisco e que também envolvem "jogadores de futebol profissional".

As quantidades económicas alvo da investigação "rondam os 15 milhões de euros", segundo o comunicado.

As buscas, segundo a imprensa local, estão a ser feitas nas instalações do Braga e do Vitória de Guimarães, entre outros.

A operação conta com 50 agentes da Guarda Nacional Republicana (GNR), 40 elementos da Autoridade Tributária, 5 magistrados do Ministério Público e a autoridade judicial.

"FORA DE JOGO"

A Operação "Fora de Jogo" levou em março de 2020 a um total de 47 arguidos -24 sociedades e 23 pessoas-, entre os quais se encontam futebolistas, agentes desportivos, intermediários, advogados ou dirigentes.

As investigações desta operação centram-se em negócios relacionados com o futebol desde o ano 2015, que terão resultado numa evasão ao fisco português através de diferentes práticas criminosas.

A 4 março de 2020 foram feitas buscas em 76 locais, alguns destes as instalações de clubes como Porto, Sporting ou Benfica, que ressaltaram publicamente a sua intenção de colaborar com a Justiça.

Nesse dia também foram feitas buscas na casa de Iker Casillas, então ligado ao Porto, e nas casas dos presidentes dos principais clubes de futebol de Portugal.

"CARTÃO VERMELHO"

Além de "Fora de Jogo", também está em curso desde o passado 7 de julho a operação "Cartão Vermelho".

O então presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foi detido nesse dia por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais, entre outros possíveis delitos, no marco de uma investigação para esclarecer possíveis negócios fraudulentos com valores acima dos 100 milhões de euros.

Nesse mesmo dia foi também detido o filho do presidente do Benfica e a Justiça constituiu dois empresários como arguidos na operação.

Além disso, a Procuradoria fez na passada segunda-feira, 22 de novembro, 33 buscas -que incluíram os escritórios do Porto- para esclarecer possíveis delitos fiscais relacionados, sobretudo, com comissões acima de 20 milhões de euros que se terão realizado desde 2017 no âmbito de transferências de futebolistas.

O Ministério Público tem suspeitas de "prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais relacionados com transferências de futebolistas e circuitos financeiros que envolvam intermediários nestes negócios".