EFELisboa

A mobilidade sustentável entre Espanha e Portugal e os Fundos de Recuperação da União Europeia serão os eixos que vão marcar a XXXII Cimeira Ibérica que se vai realizar esta quinta-feira, 28 de outubro, na cidade espanhola de Trujillo.

Em declarações à Agência EFE, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, avançou que a mobilidade elétrica, a transição energética e a reindustrialização serão algumas das principais questões a abordar nas várias reuniões sectoriais entre os ministérios dos dois Governos.

Os Executivos vão traçar linhas de trabalho conjuntas de forma a aproveitar os novos fundos europeus para a cooperação luso-espanhola e analisar os objetivos cumpridos desde a última Cimeira Ibérica, realizada em outubro de 2020 na cidade portuguesa da Guarda.

No passado dia 13 de outubro, o primeiro-ministro português, António Costa, pediu a Espanha, durante a apresentação de duas novas fábricas de polímeros que a Repsol vai construir em Portugal, que fizesse um esforço extra para que a Península Ibérica seja vista como um todo e que redobrasse esforços para integrar as economias de ambos os países.

"A compatibilidade entre os dois mapas (Portugal-Espanha) ferroviários de alta velocidade é sempre uma preocupação do Governo", assegurou Santos Silva à EFE, embora a construção de uma linha de alta velocidade entre Madrid e Lisboa não tenha sido uma prioridade nos últimos anos.

Neste sentido, o ministro lembrou que a criação do corredor de alta velocidade entre Lisboa e Vigo (Espanha) está já em andamento.

A viagem entre o Porto e Vigo tem atualmente uma duração de duas horas e quinze minutos e, uma vez terminadas as reformas ferroviárias, pretende-se que o trajeto possa ser concluído em apenas uma hora.

PRIMEIRA CIMEIRA PÓS-PANDEMIA

O ministro dos Negócios Estrangeiros português explicou que esta Cimeira Ibérica será especialmente importante, uma vez que é a primeira pós-pandemia, e neste contexto serão abertas novas áreas de cooperação favorecidas pelos Planos de Recuperação estabelecidos para Espanha e Portugal na União Europeia.

Quanto à conjuntura de transição energética e ao aumento dos preços da eletricidade, Augusto Santos Silva defendeu a posição apresentada por Espanha no Conselho Europeu para que haja uma compra conjunta de reservas de gás, tal como foi feito com a aquisição de vacinas contra a covid-19.

Santos Silva também deixou claro que a crise política que Portugal atravessa atualmente, que poderá levar a eleições antecipadas caso o Orçamento de 2022 não avançar, não vai influenciar a agenda da Cimeira Ibérica.

"A cooperação entre Portugal e Espanha sempre se fez, independentemente da situação política interna", sublinhou.

FRONTEIRA, ESTRATÉGIA E TURISMO

Portugal e Espanha definiram na última Cimeira Ibérica a sua primeira estratégia global de desenvolvimento fronteiriço e comprometeram-se a promover projetos conjuntos em áreas sensíveis como a energia e o turismo.

Desde então, ambos Governos definiram diferentes estratégias para favorecer o desenvolvimento dos territórios fronteiriços, já que estão entre as regiões menos desenvolvidas da UE.

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o primeiro-ministro português, António Costa, apresentaram na Guarda um plano ambicioso, que irá beneficiar mais de cinco milhões de pessoas de ambos os lados da fronteira, baseado em cinco eixos: mobilidade, infraestruturas, gestão conjunta de serviços, desenvolvimento e inovação, e cultura.

Na última cimeira, os dois Governos também apostaram pelo potencial do castelhano e do português, que formam um dos grandes baluartes ibéricos para a projeção cultural de Espanha e Portugal ao nível internacional.