EFELisboa

Vinte médicos, dez deles chefes de equipa em Urgências, anunciaram hoje a sua demissão do Hospital Garcia de Orta, nos arredores de Lisboa, em protesto pela decisão da administração de "retirar a cirurgia geral de Urgências", o que, denunciaram, agravará o esgotamento dos profissionais.

Os médicos apontam que está em causa a qualidade dos serviços, sobre cujas carências tinham avisado à direção do hospital em reiteradas ocasiões, segundo explicou a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna em comunicado remitido aos meios de comunicação.

Sem a presença física de cirurgia geral em Urgências, sustentam, se produzirá "um esgotamento ainda maior dos internistas" dessa área, e se porá além disso "em perigo aos pacientes cirúrgicos, que se dispersarão numa amalgama de pacientes ainda maiores".

O Hospital Garcia de Orta, situado em Almada, ao sul de Lisboa, respondeu que as anunciadas demissões não se têm feito efetivas ainda, que apenas se comunicaram por carta, e que se marcou uma reunião com tais profissionais para a "primeira quinzena de outubro" na qual se falará dos problemas no serviço.

À espera de novos avanços, a prometida demissão gerou alerta em Portugal, onde já se viveu uma situação similar em setembro do ano passado, quando 52 diretores e chefes de serviço do Hospital de Gaia, no norte, renunciaram em bloco por causa das paupérrimas condições de trabalho que asseguravam ter.