EFELisboa

Os juízes de Portugal denunciaram as más condições nas quais asseguram trabalhar num documento de mais de 3.500 páginas que recolhe desde pragas de piolhos a tetos que caem e, sublinham, agendas escritas em espanhol.

O rosário de queixas foi elaborado pelos responsáveis das 23 comarcas judiciais do país e divulgado hoje pelo jornal Público, o qual adverte que todas as deficiências denunciadas correspondem a 2018 e portanto algumas delas podem "já ter sido resolvidas".

Do cenário desenhado pelos profissionais judiciais destacam-se os problemas nos edifícios de justiça, como casas de banho entupidas, baldes para a água que pinga à entrada das salas de audiência e até "pragas de piolhos".

Também infiltrações de água que acabaram por danificar quadros elétricos, como aconteceu em Espinho, no centro de Portugal, e até quedas de pedras de partes da fachada, como se registou no Palácio de Justiça de Loures.

No Tribunal de São João Novo (norte) chegou a cair o teto de duas salas, e os autores do documento perguntam-se onde irão trabalhar quando começarem as tão pedidas obras para resolver a situação.

Outros problemas são a falta de ar condicionado no verão e aquecimento no inverno (os radiadores não são solução, advertem, porque os quadros elétricos não resistem a sua ligação) e há descontentamento também com as agendas.

Dizem os juízes que recebem "agendas cuja primeira língua é o espanhol" e "às vezes só com os feriados espanhóis", que as canetas "não escrevem", que os agrafadores se partem e que as impressoras "enviam-se constantemente a arranjar porque passaram o seu tempo de vida útil".

Tudo isso sem esquecer a falta de funcionários judiciais, cuja carência denunciaram com frequência nos últimos meses.