EFELisboa

A comissão que investiga os abusos contra menores cometidos no seio da Igreja Católica em Portugal recebeu, ao longo de seis meses de trabalho, 338 testemunhos, mas apenas 17 foram enviados ao Ministério Público, pois os delitos não prescreveram ou têm possibilidades de prosperar.

A comissão recebeu 365 testemunhos mas pôde validar 338, segundo explicaram os seus membros esta quinta-feira numa conferência de imprensa em Lisboa para apresentar o balanço de meio ano de trabalho.

O coordenador da comissão, o psiquiatra Pedro Strecht, explicou que, na maioria dos casos, já passaram décadas entre os acontecimentos e a denúncia, o que complica a investigação.

No entanto, 17 dos abusos poderiam ainda ser criminalmente punidos e foram remetidos para o Ministério Público, embora com "poucas expectativas", admitiu.

Os dados da Comissão mostram que quase 57% das vítimas eram homens, e a grande maioria tem entre 36 e 65 anos de idade, embora haja também menores de 18 (2%) e maiores de 76 (6%).

A maior parte dos testemunhos relatam toques impróprios, embora 15,6% denuncie sexo oral, 10,8%, sexo anal e quase 6% violações sexuais consumadas.

O perfil do abusador em Portugal assemelha-se ao dos países vizinhos: Mais homens do que mulheres, membros da Igreja Católica -na sua maioria sacerdotes- e com idades entre os 20-30 ou 50-60 anos.

Poderá a Igreja Católica compensar estes danos? "Claramente que nunca se poderá compensar", admitiu Strecht numa recente entrevista com a Agência Efe.

Strecht reconheceu que as investigações da comissão são apenas "a ponta do iceberg".