EFELisboa

Acelerar a vacinação é a estratégia assumida de Portugal para contrariar o rápido avanço da variante delta, predominante no país e protagonista de uma quarta vaga que em apenas duas semanas, segundo os cálculos, poderá duplicar os contágios diários.

"Estamos realmente a enfrentar uma quarta vaga desta pandemia. E não nos podemos distrair, não nos podemos relaxar", disse esta terça-feira o primeiro-ministro, o socialista António Costa, poucas horas depois da ministra da Saúde, Marta Temido, alertar que o país pode dentro de 15 dias registar até 4.000 contágios diários.

É praticamente o dobro do que se notifica atualmente. Esta terça-feira, segundo os últimos dados da Direção-Geral da Saúde, foram detetados 2.170 novos casos de coronavírus.

São números que preocupam, especialmente nos hospitais, onde os internamentos aumentaram nos últimos dias, embora hoje se mantenham praticamente inalterados, com 613 pacientes com covid hospitalizados, 133 dos quais nos cuidados intensivos (menos três quanto ao dia anterior).

Em comparação, a mortalidade é baixa, com apenas um falecido nas últimas 24 horas.

Mas tudo isto pode piorar em duas semanas, para quando o Governo prevê um cenário com cerca de 800 internados e mais de 150 pacientes nos cuidados intensivos.

Foram recuperadas algumas restrições devido à pioria da situação, como o recolher obrigatório a partir das 23h00 em lugares com maior incidência de contágios, como Lisboa, Porto, Braga ou Faro, mas há escasso consenso para retroceder mais.

O caminho agora é acelerar a vacinação para proteger durante este mês os jovens e dar a segunda dose aos adultos que ainda não a receberam.

DUAS SEMANAS DECISIVAS PARA VACINAR

O ritmo de inoculações vai aumentar até serem administradas até 850.000 doses semanais.

Procura-se agora começar a proteger os mais jovens, depois de 57% da população portuguesa ter já recebido pelo menos uma dose e de 35% ter já a vacinação completa.

As autoridades começaram este domingo a contactar cidadãos de entre 18 e 29 anos e prepara-se para acelerar a imunização de idades superiores durante este mês.

A missão marcou já um recorde esta segunda-feira, com 141.500 doses inoculadas, que deixam também imagens de longas filas e queixas de quem teve de esperar mais de duas horas sob um sol de verão à entrada dos pavilhões de vacinação.

"Nas próximas duas semanas as condições de vacinação vão ser mais incómodas", admitiu Costa esta terça-feira, salientando o grande "esforço" dos profissionais de saúde durante a próxima quinzena.

MINISTRO EM ISOLAMENTO

Em paralelo, esta terça-feira conheceu-se o isolamento profilático do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, por contacto com um positivo.

O ministro não tem sintomas e tem a vacinação completa, mas ainda assim as autoridades sanitárias recomendaram-lhe o isolamento durante uns dias, tal como aconteceu na semana passada com o próprio Costa, também com as duas doses da vacina, que retomou a sua agenda pública depois de cinco dias e dois testes negativos.