EFELisboa

As testemunhas que possam dar um passo em frente e ajudar as vítimas são a nova aposta de Portugal para lutar contra a violência de género, apelando à intervenção através de uma nova campanha lançada esta quarta-feira que tem muito em conta a influência da pandemia neste problema.

"Eu sobrevivi" é o nome da nova campanha lançada esta quarta-feira pelo Governo português, que mostra uma cena num escritório em que duas mulheres, com máscaras, se juntam para falar do rendimento de uma delas.

"Quando está em teletrabalho a comunicação consigo não é fácil, a sua concentração é diferente, e ambas sabemos que algo se passa e temos que fazer algo", diz uma delas, antes de revelar à vítima que também sofreu com violência de género, ultrapassou a situação e que agora vai ajudá-la.

O papel das testemunhas é o novo foco dos esforços de consciencialização em Portugal, onde se apela a "aprender a ver os sinais e saber que palavras dizer" a uma vítima, disse à imprensa local a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

A nova campanha é uma das iniciativas preparadas para hoje, muito limitadas pela covid-19, que levou a que a tradicional marcha pelo centro de Lisboa se torne numa concentração mais modesta prevista para esta tarde.

Nesta vão-se exigir mais medidas para travar um problema que deste janeiro levou a vida de 30 mulheres no país, 16 das quais em contextos de relações de intimidade, o que eleva a 564 o total de vítimas de violência de género desde 2004.