EFELisboa

O Governo português anunciou hoje uma descida das suas previsões macroeconómicas para este ano, no qual a economia prevê que avance 1,9%, menos três décimas que o inicialmente previsto, devido a uma queda da procura interna.

A correção foi anunciada esta segunda-feira em conferência de imprensa em Lisboa pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, que tinha augurado inicialmente um avanço de 2,2% para 2019, número agora modificado no Programa de Estabilidade até 2023.

O documento, que será enviado à Comissão Europeia, aponta que para este ano "prevê-se um crescimento do PIB em termos reais de 1,9%, desacelerando relativamente ao crescimento de 2,1% observado em 2018", que se explica por uma "queda da contribuição da procura interna", que este ano irá passar de 2,8% a 2,1%.

A esta situação contribuem "as menores taxas de crescimento previstas para o consumo privado e para o consumo público", acrescenta o programa, cujos detalhes foram apresentados pelo ministro das Finanças.

Entre eles que a meta de défice para este ano, de 0,2%, se mantém, e espera-se inclusivamente que haja um excedente de 0,3% em 2020 e ainda maior para anos posteriores.

A estimativa é que em 2021 a dívida pública seja inferior a 100% do PIB, uma ambiciosa meta que Centeno considera possível devido à "estabilização do sistema financeiro" português.

No entanto, admitiu que poderá ser sentido algum impacto pelas "inseguranças" globais, cuja natureza não precisou, mas das quais Portugal não é alheio ao fazer parte da economia global.

Além disso, Centeno destacou que o Programa de Estabilidade 2019-2023, que estabelece um guia de objetivos económicos para esse período, "não incorpora novas medidas de política a incorporar pelo novo Governo" que surgirá após as eleições legislativas do próximo outubro.

Durante o seu discurso, Centeno ressaltou, como noutras ocasiões, que a gestão dos três últimos anos do Executivo do socialista António Costa foi chave para a "estabilidade orçamentária e económica" do país, cujo resgate por parte da troika se deu por fechado há cinco anos.

"Alcançamos um porto seguro que era impensável há três anos", afirmou.

A correção das previsões do Governo chegam depois de diversas entidades advertirem de uma desaceleração para este ano.

O Banco de Portugal augura agora um avanço de 1,7%, enquanto o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia lusa cresça 1,8% em 2019.