EFELisboa

Portugal vai prestar homenagem com três dias de luto nacional ao ex-presidente Jorge Sampaio, falecido esta sexta-feira em Lisboa aos 81 anos e recordado pela generalidade da classe política do país pelo seu caráter "lutador" na defesa da democracia e dos mais desfavorecidos, sempre com serenidade.

Os dias de luto nacional vão começar este sábado e decorrem até segunda-feira, segundo anunciou o primeiro-ministro, o socialista António Costa, cujo governa ultima com a família de Sampaio os detalhes sobre o lugar e momento das cerimónias fúnebres.

O primeiro-ministro, colega de partido do ex-presidente, recordou que Sampaio, líder dos socialistas e autarca de Lisboa antes de ser chefe de Estado entre 1996 e 2006, "exerceu as suas funções com sentido cívico de militância e a convicção" de que o seu trabalho era "mais uma forma de exercer a cidadania".

A sua "verticalidade ética" foi também elogiada por Costa, que numa mensagem ao país incidiu na visão humanista de um líder sobre o qual também se ressalta a sua "serenidade" e a ambição de lutar pelos menos favorecidos.

"Demonstrou que se pode nascer privilegiado e virar a vida para os desfavorecidos, lutando sempre com serenidade", disse o presidente de Portugal -e antigo adversário político de Sampaio- o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, que definiu Jorge Sampaio como "um grande senhor da democracia e grande senhor da pátria comum".

As reações à sua morte, vindas de todo o espectro político, incidiram na trajetória de um homem que mostrou o seu ativismo a favor da democracia durante os anos de resistência estudantil, da qual se tornou referência em 1962, e também o seu legado como construtor de pontes entre partidos políticos.

Especialmente com o Partido Comunista, com quem assinou uma coligação inédita no final dos anos 80 para ganhar a Câmara de Lisboa, e que hoje reconhece "o seu percurso democrático e a resistência ao fascismo" na fase pré-democrática de Portugal.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse por sua vez que Sampaio "soube erguer pontes à esquerda que permitiram novos projetos no país e que o tornaram no autarca de Lisboa e depois presidente da República”.

À direita, o líder do conservador PSD, Rui Rio, também reivindicou a origem política do ex-presidente, assim como o "excelente" trato com Sampaio, sobre cuja vida pública faz um balanço "excecionalmente positivo".

Já José Maria Durão Barroso, que dirigiu o Governo entre 2002 e 2004, com Sampaio na presidência, diz que foi uma "honra" trabalhar com quem demonstrou ter "uma personalidade verdadeiramente comprometida com as causas da democracia e do desenvolvimento social do nosso país".

Mas é desde o seu partido, o Partido Socialista, que vêm os maiores elogios, descrevendo-o como um "combatente pela democracia", possuindo uma "sensibilidade social" e "rigor ético" marcante, nas palavras do presidente do PS, Carlos César.

Jorge Sampaio faleceu esta sexta aos 81 anos num hospital de Lisboa, onde estava internado há duas semanas por problemas respiratórios, que se juntavam a várias doenças cardíacas com as quais convivia há anos.

Depois de passar pela chefia do Estado, foi enviado especial das Nações Unidas para a luta contra a Tuberculose e alto representante da mesma organização para a Aliança das Civilizações.

Nos últimos anos dedicou-se à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, que fundou em 2013 e ainda preside, para ajudar jovens sírios a retomar os seus estudos depois de terem abandonado o seu país devido à guerra.