EFELisboa

Portugal vai recomendar aos seus hospitais que deixem de usar hidroxicloroquina para tratar pacientes com COVID-19, após estudos recentes alertarem para os riscos que o medicamento representa.

A decisão foi antecipada esta quinta-feira pelo vice-presidente da Autoridade Nacional de Medicamentos (Infarmed), António Faria Vaz, à emissora pública de televisão "Antena 1". Segundo Faria Vaz, a agência vai desaconselhar o seu uso até que os riscos apresentados sejam esclarecidos.

O Infarmed vai enviar uma orientação aos hospitais para desestimular o uso da hidroxicloroquina, medicamento habitualmente usado contra a malária e algumas doenças autoimunes, em pacientes com coronavírus.

Embora no caso de Portugal seja apenas uma recomendação, três países europeus -França, Bélgica e Itália- proibiram nos últimos dias o uso do medicamento para tratar pacientes com coronavírus.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na última segunda-feira que iria suspender temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19 porque tinha sido detetada uma maior taxa de mortalidade em pacientes que receberam esse tratamento.

Estas conclusões vêm de um estudo publicado na semana passada pela revista médica "The Lancet", que mostrou uma maior mortalidade e um aumento das arritmias cardíacas entre as pessoas que receberam a molécula.

Portugal, que tem 31.596 casos confirmados de infeção pelo vírus SARS-CoV-2 e 1.369 mortes, continua a progredir na saída gradual da quarentena, embora olhe com preocupação para a região de Lisboa e Vale do Tejo, onde foram detetados 86% dos novos contágios na última semana.