EFELisboa

As figuras antropomórficas, "ídolos" dos que habitaram a Península Ibérica entre a segunda metade do IV milénio a.C e a primeira do III milénio a.C protagonizam a partir desta sexta-feira em Lisboa uma exposição conjunta entre Portugal e Espanha que pretende abrir o caminho da cultura pós-pandémica e mostrar a possibilidade do intercâmbio extremo.

"Ídolos – Olhares Milenares", que se poderá ver até outubro no Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa, foi inaugurado esta sexta com a presença dos ministros da Cultura de Portugal, Graça Fonseca, e de Espanha, José Manuel Rodríguez Uribes, um gesto que procura encenar uma nova etapa.

A exposição luso-espanhola, com 270 peças de 27 museus de ambos países, é "uma reabertura em tempos do que especialistas começam a chamar pós-pandemia. Oxalá seja assim", disse Rodríguez Uribes que, tal como Fonseca, elogiou o bom entendimento no trabalho de ambos governos.

Os ministros visitaram a exposição, cuja planificação e execução foi um autêntico desafio para as entidades envolvidas, desde o Museu Arqueológico de Alicante, o Museu Arqueológico Regional da Comunidade de Madrid ou o próprio centro lisboeta, entre outros.

Os fechos da fronteira comum, os confinamentos e as sucessivas restrições trazidas pelo coronavírus puseram à prova a "paciência" e o sacrifício dos museus, explicaram os curadores, Primitiva Bueno Ramírez e Jorge Soler Díaz, que veem o resultado final como um "ensaio" para uma eventual exposição permanente resultante do intercâmbio entre países.

Por agora, a exposição de "Ídolos" confirma que o grande desafio pode ser feito e deixa como resultado uma ampla sala onde se encontram as figuras antropomórficas, feitas de pedra, osso, marfim, cerâmica e ouro.

Elaboradas entre a segunda metade do IV milénio a.C. e a primeira metade do III milénio a.C. na metade sul da Península Ibérica, são representações que nos permitem intuir quais foram os amuletos ou símbolos com os quais os seus autores se identificavam.

Entre os segredos que guardam, há até pistas que se referem às histórias orais que uniam estas comunidades e que os especialistas ainda estão a trabalhar para decifrar completamente.

Os curadores da exposição resumiram-na como a "história comum de Espanha e Portugal", sublinhando que estas peças contêm "informações únicas que não podem ser obtidas em escavações arqueológicas", tais como detalhes dos penteados, cores e, em suma, a estética que caracterizava esses habitantes.

Rodríguez Uribes e Fonseca vão também realizar esta sexta uma reunião na qual o espanhol vê "uma oportunidade de avançar muito em muitas coisas".

"Interessa-nos muito o trabalho que os portugueses fizeram em matéria do Estatuto do Artista. Em Espanha temos um mandato do Congresso que temos vindo a desenvolver progressivamente, mas creio que o exemplo português pode ser muito interessante", comentou o ministro em declarações à EFE.

Outro ponto fundamental a debater será o setor audiovisual, comentou por sua parte a ministra portuguesa, que ressaltou que "temos também algumas medidas (sobre o audiovisual), mas queremos saber mais e compreender como os nossos países trabalham nesse setor, que gera muita oportunidade de emprego".