EFELisboa

Portugal está a negociar com Marrocos os detalhes de uma rota marítima entre o porto de Portimão, no Algarve, e Tânger, após a decisão de Rabat de suspender a Operação Passagem do Estreito com Espanha, confirmou esta segunda-feira à Efe o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

"Continuamos a discutir. Há interesse do Governo de Marrocos e há interesse nosso", afirmou o ministro de Economia, que não precisou uma data que a rota se poderá estrear.

"Estamos a ver como podemos preparar as condições de acolhimento e sobretudo de saída, porque é muito importante tanto para mercadorias como para as pessoas", acrescentou.

"Estamos a ver as condições para a implementação de tudo isso", ressaltou Siza Vieira em declarações à Efe.

Depois da decisão unilateral de suspender a Operação Passagem do Estreito (OPE) desde os portos espanhóis, Marrocos mantém o programa com os franceses de Marselha e Sète e o italiano de Génova, mas procura alternativas para facilitar o regresso a casa de uns quatro milhões de marroquinos residentes principalmente em França, Espanha e Itália.

A via Portimão-Tânger corta custos face aos portos franceses, mas é significativamente mais cara que a opção dos portos andaluzes que participavam na OPE.

NÃO HÁ FRICÇÃO COM ESPANHA

O ministro português descartou que o eventual acordo entre Portugal e Marrocos possa ser um motivo de fricção com o Governo espanhol.

"Estamos sempre a falar com o Governo espanhol sobre questões de interesse recíproco e não há razão para que as excelentes relações que temos possam ter impactos negativos".

"Lidámos sempre bem com estas situações", continuou. "Tem sido um ano muito difícil devido às tensões que podiam ter sido geradas pelo encerramento de fronteiras e tudo mais", mas "as relações que mantivemos com o Governo espanhol ao longo deste ano com a gestão destas situações difíceis foram impecáveis e é assim que vão continuar", concluiu.

O Governo português manteve total discrição nas negociações com Rabat em relação a uma rota que, segundo fontes do sector do turismo consultadas pela Efe, já tinha sido considerada há anos, acabando por ser descartada.

A distância entre Portimão e Tânger -mais de sete horas de travessia-, e os custos envolvidos na organização das partidas e chegadas no porto algarvio levaram ao abandono do projeto.