EFELisboa

Portugal vai fechar as suas escolas a partir desta sexta-feira e durante pelo menos 15 dias, decisão tomada no meio de um aumento descontrolado de contágios por covid-19 e com um novo recorde de mortes pelo vírus, 221 nas últimas 24 horas.

Segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, o país está há quatro dias consecutivos com recordes em óbitos (167 na segunda, 218 na terça, 219 na quarta e os 221 desta sexta-feira) e volta a ver os contágios disparados, um pouco inferiores ao máximo de 14.647 de ontem.

Os indicadores aumentaram rapidamente nos últimos dias devido à variante britânica do coronavírus, explicou em conferência de imprensa o primeiro-ministro português, António Costa.

"Na semana passada tínhamos uma prevalência de 8%; esta semana de 20%, e os estudos indicam que pode chegar a 60%", disse Costa após ter conhecido esta quarta-feira os últimos dados disponíveis facilitados pelos epidemiólogos.

"Apesar de todo o esforço extraordinário que as escolas fizeram para se preparar, frente a esta nova estirpe e à velocidade de transmissão, o princípio de precaução obriga-nos a interromper todas as atividades letivas durante os próximos 15 dias", acrescentou.

Estas duas semanas serão compensadas no calendário escolar, dado que é uma suspensão das aulas, sem ensino à distância.

Além disso, vai-se manter a ajuda de alimentação que os alunos recebem no centro educativo.

"As escolas não foram nem são o principal foco e local de transmissão", ressaltou o primeiro-ministro português, que anunciou uma medida que tinha sido uma linha vermelha para o seu gabinete desde o início do ano letivo.

Esta medida chega seis dias depois do começo do confinamento do país e 24 horas depois da entrada em vigor de mais 14 ajustes para melhorar o seu cumprimento.

Tudo para evitar o colapso dos hospitais, onde a pressão continua a subir com 5.630 internados (mais 137), 702 destes nos cuidados intensivos (mais 21), um limite nunca antes alcançado.

Esta semana voltaram-se a abrir hospitais de campanha em Portugal, e os médicos do país pediram que se restrinja mais a circulação, alertando que já trabalham num "contexto de medicina de catástrofe".

Desde o início da pandemia, Portugal regista 9.686 mortes e 595.149 contágios, 151.226 atualmente ativos.