EFELisboa

O Governo português interveio esta segunda-feira na greve de motoristas e mobilizou militares e agentes de segurança para dirigir camiões-cisterna com combustível depois de constatar que não se cumpriram com os serviços mínimos no primeiro dia de greve.

A decisão foi tomada num conselho de ministros extraordinário ao final da tarde, no qual foi acordado intervir apenas nas áreas onde se estão a descumprir os mínimos: o fornecimento no sul do país, nos aeroportos, na rede de postos de abastecimento de emergência e nas unidades autónomas de gás natural.

A intervenção da greve será realizada através da chamada "requisição civil", um instrumento limite para o Executivo que lhe permite obrigar legalmente os grevistas necessários a trabalhar para garantir serviços básicos, abrangendo inclusivamente penas de prisão caso recusarem.

A medida permite ainda mobilizar membros das Forças Armadas.

O primeiro-ministro de Portugal, o socialista António Costa, já tinha anunciado horas antes que se tinham mobilizado polícias e agentes da Guarda Nacional Republicana -corpo de segurança de natureza militar- para transportar combustível.

Em declarações à imprensa depois de se reunir com o presidente da República, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, Costa explicou que observaram "uma nova realidade" durante a tarde, na qual abastecimentos essenciais não foram cumpridos.

A possibilidade de intervir na greve foi falada desde o princípio do dia, quando o porta-voz dos motoristas, Pedro Pardal Henriques, prometia o descumprimento dos serviços mínimos, a linha vermelha que, sabia, desencadearia a intervenção.

Esta promessa, feita pela "sabotagem" que denunciaram ter sofrido no começo do dia, foi rapidamente recolhida pela patronal do setor, Antram, que solicitou com caráter "urgente" a intervenção legal por parte do Governo.

A greve deixa já mais de 500 postos de gasolina do país desabastecidos, 17% da rede nacional.

As previsões confirmaram-se e os maiores problemas concentram-se na turística região do Algarve (sul do país) e ao longo do litoral português, com maior afluência em agosto por ser período de férias.

À margem destes incidentes, a situação é de normalidade devido aos elevados serviços mínimos afixados pelo Governo, entre 50 e 100%.

Desejoso de evitar o caos que Portugal viveu durante a anterior greve de motoristas em abril passado, quando os aviões tiveram que reabastecer em Espanha e com fortes críticas graças à falta de previsão, o primeiro-ministro desdobrou uma prudência que pretende ressaltar o seu controlo a apenas dois meses das eleições.

Foi assim interpretado a decisão de ter fixado serviços mínimos de 100% para aeroportos, portos, serviços de segurança, bombeiros e emergências médicas, de 75% para os transportes públicos e de 50% para o fornecimento de combustível a particulares.

Números que evitaram que se transtorne a vida dos cidadãos, mais proclives já à saturação do que à preocupação, depois de esperar durante mais de quinze dias por uma greve que centrou a agenda informativa do verão no país.

A greve dos motoristas foi convocada em protesto pelo descumprimento que, denunciam, foi exercido pela patronal do setor, Antram, do acordo assinado há quatro meses para aumentar os salários dos trabalhadores.

O seu protesto é por tempo indefinido, pelo que, se não for desconvocado, a situação de emergência energética que rege em Portugal vai-se estender pelo menos até 21 de agosto, segundo decretou o Executivo.