EFELisboa

As principais autoridades políticas de Portugal, assim como representantes das equipas de socorro e dezenas de cidadãos, lembraram hoje com uma missa as 66 pessoas que morreram há dois anos no incêndio de Pedrógão Grande, o mais mortífero dos que assolaram o país.

O aniversário da tragédia, que deu a volta ao mundo, foi lembrado na cidade de Castanheira de Pera, vizinha de Pedrógão Grande e também afetada pelas chamas, que demoraram uma semana a extinguir-se.

66 pessoas morreram no incêndio, 47 delas quando tentavam fugir através da estrada nacional 236, rebatizada pelos portugueses como a "estrada da morte".

Além disso, mais de 250 pessoas ficaram feridas e cerca de 500 casas e mais de 46.000 hectares foram arrasadas.

A tragédia de Pedrógão Grande gerou um trauma nacional e deixou marcado um município que ainda não recuperou, disse o autarca, Valdemar Alves, durante as homenagens de hoje.

"As chamas foram-se, mas o inferno ficou", declarou Alves à imprensa, assegurando também que os moradores "estão com medo e expectativa" de que se avance mais depressa na recuperação da floresta da região.

Estiveram presentes na missa de Castanheira de Pera o presidente de Portugal, o conservador Marcelo de Sousa, que recusou fazer declarações, e o primeiro-ministro, o socialista António Costa, que ressaltou que "as causas profundas (dos incêndios) nunca serão resolvidas pelos meios de combate".

Estas causas, ressaltou, só serão resolvidas quando se "conclua a reforma da floresta" e se revitalizem os territórios "de baixa densidade".

Também estiveram na localidade o presidente do Parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, e a líder do democrata-cristão CDS-PP, Assunção Cristas, que apontou que "deve fazer-se mais para erradicar o sentimento de abandono no interior do país".

O incêndio de Pedrógão Grande marcou 2017, um ano negro ao somar-se a onda de fogos desse outubro, que deixou 45 vítimas mortais no centro e norte de Portugal.

O Estado português, muito questionado pelos erros de coordenação entre as autoridades de socorro, assumiu a responsabilidade pelas mais de cem mortes no total e pagou 31 milhões de euros em indemnizações a familiares das vítimas.