EFELisboa

O Governo português, que até agora tem mantido uma postura de cautela sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE), vai estudar a decisão de Bruxelas para definir a sua posição, mas defendeu que o "mais fundamental" é que haja "unidade europeia".

"Sempre dissemos que o mais fundamental sobre a Ucrânia era manter a unidade europeia, e naturalmente a nossa postura vai ser sempre coerente com essa posição", disse esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, numa conferência de imprensa em Lisboa, depois de receber a opositora bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya.

Sobre o apoio mostrado por França, Alemanha, Itália e Roménia a que a Ucrânia obtenha de imediato o estatuto de candidato, o ministro respondeu que os processos de adesão ao bloco europeu exigem sempre "consenso".

Gomes Cravinho apontou que Portugal irá estudar o relatório e que na próxima semana haverá condições para definir a posição portuguesa.

A Comissão Europeia recomendou esta sexta-feira aos vinte e sete conceder primeiro à Ucrânia uma "perspetiva europeia" e depois o estatuto de "candidato" caso o país efetue "reformas significativas", decisão que também se estende à Moldávia.

No entanto, recomendou que a Geórgia permaneça nesta primeira fase e que a sua situação seja reavaliada antes de recomendar que seja candidata.

Portugal tem mantido até à data uma posição de cautela relativamente à adesão da Ucrânia à UE.

Embora não se tenha declarado diretamente contra a concessão do estatuto de candidato, o primeiro-ministro português, António Costa, defendeu esta semana que se procurassem "alternativas" à entrada da Ucrânia na UE para não criar "falsas expectativas" com um assunto sobre o qual não existe unanimidade nos vinte e sete.

Na conferência de imprensa junto ao ministro dos Negócios Estrangeiros, a opositora bielorrussa Tikhanovskaya disse que gostaria "que Portugal recomendasse à União Europeia que atribuísse à Moldávia e Ucrânia o estatuto de países candidatos, que merecem".

Sobre uma possível futura candidatura da Bielorrússia, que atualmente está sob o regime de Aleksandr Lukashenko, Tikhanovskaya defendeu que teria que se perguntar aos seus cidadãos se quereriam juntar-se ao bloco europeu: "Não é propriamente uma questão que possamos decidir agora", disse.