EFELisboa

A comunidade educativa portuguesa começa a assumir que não vai voltar de imediato às aulas presenciais assim que termine o fecho de escolas durante 15 dias que começou no passado 22 de janeiro, e prepara-se já para recuperar o ensino à distância com alertas de que são precisos meios.

"Neste momento temos muitas dúvidas que se possa retomar a atividade presencial no final deste período de 15 dias", admite à Efe o secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva.

A medida foi adotada perante o descontrolo da terceira vaga de coronavírus, que tornou Portugal no líder mundial de mortes e contágios por milhão de habitantes.

O Governo, que considera a educação presencial uma prioridade, concebeu o fecho de 15 dias como uma espécie de férias de emergência, descartou as aulas "online" porque entende que aumentam as desigualdades de alunos com menos recursos, e propôs recuperar o tempo perdido ajustando o calendário escolar.

Contudo, poucos dias depois, após a pior semana da pandemia, com recorde de falecidos (275) e cerca de 14.000 casos diários, a ideia de que não será possível regressar às aulas tão cedo começa a assentar.

O Ministério da Educação já recordou às escolas no próprio dia que fecharam que deviam estar preparados para essa possibilidade.

Fizeram-no através de um e-mail que continha "várias informações redundantes", explica o ministério à Efe, dado que desde o início do ano letivo todas as escolas tinham elaborado planos de contingência caso fosse necessário voltar às aulas "online".

Algo corroborado pela FNE, que ressalta a necessidade de dotar os alunos de meios de modo a evitar uma pioria das desigualdades.

"Nem todos os alunos têm computador, ou acesso à internet, nem condições em casa para continuar com as aulas, e estes alunos são os que pertencem ao contexto mais desfavorecido", recorda.

O Ministério da Educação afirma que foram distribuídos às escolas 100.000 computadores no primeiro trimestre do ano letivo, dando prioridade aos estudantes do ensino secundário com menos recursos.

Além disso, acrescenta que foram comprados outros 335.000 computadores cuja distribuição está prevista para o segundo trimestre.

Ainda não há certeza sobre o regresso ou não do ensino presencial, mas o Governo deverá anunciar a sua decisão nos próximos dias, antes do fim deste período de interrupção de aulas, marcado para o próximo 5 de fevereiro.