EFELisboa

Desobedeceu à ditadura de Salazar e desde o seu cargo de cônsul português em Bordéus (França) conseguiu salvar milhares de vidas das mãos dos nazis. Esta terça-feira, Aristides de Sousa Mendes foi homenageado como um herói em Portugal.

Conhecido como o "Schindler português", Sousa Mendes nasceu numa família aristocrática em Viseu (norte) em 1885, formou-se em Direito e inclinou-se pela carreira diplomática.

Apesar de ser inicialmente defensor da ditadura, o começo da II Guerra Mundial apanhou-o de surpresa como cônsul português em Bordéus e desafiou o regime de Salazar para salvar milhares de vidas do nazismo

Com a sua assinatura, Sousa Mendes autorizou a entrada em Portugal de cerca de 30.000 refugiados procedentes de França, desafio que se traduziu numa condenação e no afastamento da carreira diplomática.

As portas foram fechadas em Portugal e chegou a receber ajuda dos refugiados judeus. Morreu esquecido em Lisboa em 1954.

Não foi o único diplomata português que salvou vidas durante a II Guerra Mundial. Na lista estão também figuras como Carlos Sampaio Garrido e Alberto Teixeira que, junto a Sousa Mendes, foram distinguidos com o título de "Justo entre as Nações", outorgado pelo Estado israelita.

O nome de Aristides de Sousa Mendes aparece a partir desta terça-feira no Panteão Nacional junto a figuras como a fadista Amália Rodrigues ou os ex-presidentes Sidónio Pais e Manuel de Arriaga.

Aristides de Sousa Mendes "mudou a história de Portugal e projetou Portugal no universo", disse esta terça o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a cerimónia.