EFELisboa

A arte mais "efémera, engenhosa e sexy", segundo a classificou o artista Richard Hamilton, chega com 122 obras a Lisboa na exposição "Estrelas da Pop Art", a maior deste estilo já acolhida pelo país.

"Estrelas da Pop Art" percorre os universos artísticos de Andy Warhol, Jasper Johns, Robert Rauschenberg e Roy Liechtenstein, entre outros artistas, explica à EFE a diretora da exposição, Ana Cristina Baptista.

"Era indispensável uma exposição de pop art em Lisboa", conta Baptista, já que "sempre despertou interesse" devido ao seu estilo "movimentado e icónico", acrescenta.

A emblemática embalagem de tomate Campbell's que Warhol viria a imortalizar na sua obra é o primeiro objeto que o visitante encontra na exposição, instalada na antiga fábrica naval ocupada pela Cordoaria Nacional.

O primeiro artista que encontramos após a célebre embalagem é Jasper Johns, ícone pop devido à sua série de bandeiras americanas ("Flags"). Uma das suas obras na exposição, "Moratória", exibe uma bandeira americana com as cores vermelho, branco e azul mudadas por verde, negro e amarelo, respetivamente.

"Cup to Picasso" ("Copo para Picasso"), por sua vez, é uma homenagem de Jones ao pintor espanhol, recreando um copo com o seu perfil duplicado, pintado de maneira frontal.

Já Robert Rauschenberg veste a seguinte sala com a sua distintiva "Autobiografia", um tríptico de imagens nas quais joga com textos e fotografias para resumir a sua vida.

Preocupado com o meio ambiente, Rauschenberg compôs ainda nos 70 uma colagem chamada "Earth Day" ("Dia da Terra"), no qual se podem ver várias imagens de animais junto a meios urbanos manipulados pelo homem.

Desamarrado da linha mas emblemática desta corrente, Roy Liechtenstein apresenta os seus pontos Ben-Day -um processo de impressão baseado no pontilhismo de cores primárias- ao longo das suas obras mais famosas como "Hopeless" ("Sem esperança") ou "Nudes" ("Nus"), inspirado em ambos pela banda desenhada.

Por último, a exposição -que estará aberta até janeiro- presta também homenagem à estrela mais reconhecida da Pop Art, Andy Warhol, que definia o estilo que o elevou à fama como "apto para todos".

Anos depois, as suas litografias de famosos da época continuam a olhar inalterados para o espectador, tais como Marilyn Monroe, Mao Tse-Tung e os Beatles.

Elevado pelo dualismo entre a sua imagem comercial e o seu lado mais excêntrico, Warhol eleva a condição artística imagens quotidianas como as de uma vaca, inspirada numa marca de leite da época, à qual dedica uma série.

O fim da exposição atualiza a pop art com artistas posteriores, tais como Keith Haring, Jean Michel Basquiat ou Felix González Torres.

Uma das obras deste último, "Death by Gun" ("Morte por Pistola"), faz uma ligação ao presente, relembrando os 460 assassinados por tiroteios nos Estados Unidos durante a primeira semana de maio de 1989.

Herdeiro do dadaísmo e surrealismo e substituto do expressionismo abstrato "vazio e elitista" de finais dos 50, aponta o catálogo da exposição, o pop art reúne a sociedade de consumo à volta da sua arte.

A sua reflexão, profundamente superficial, critica o contexto sociopolítico do momento, no qual a arte deixa de ser única e passa a ser produzida "em série".

Ana Sánchez