EFEFaro

O presidente do Governo da Andaluzia, Juanma Moreno, pediu esta quinta-feira que a voz da Eurorregião com o Algarve e o Alentejo "se faça notar" na Europa, reforçando a presença nos principais fóruns comunitários como representantes de "um triângulo estratégico do Sul da Europa".

No comité diretivo da Eurorregião realizado em Faro (Portugal), onde Moreno recolheu o testemunho do Alentejo na presidência do organismo durante dois anos, defendeu a abertura de "uma nova etapa" para aproveitar o novo marco europeu 2021-2027, definindo linhas estáveis de colaboração adaptadas às diretivas europeias.

Moreno, que com este ato encerrou a sua primeira viagem oficial a Portugal, vai propor ao Governo espanhol acolher na Andaluzia a Cimeira Ibérica Espanha-Portugal em 2021 e uma defesa conjunta na política de redes transeuropeias que ligam os portos da comunidade com a Europa.

Além disso, vão trabalhar para ser a "ponta da lança" em matéria de desenvolvimento sustentável, energias renováveis e, em especial, a "economia azul", uma vez que entendem que a Andaluzia tem "muito a aprender" de Portugal no âmbito da economia do mar.

Os quase mil quilómetros de costas abertas ao Atlântico e ao Mediterrâneo são "um enorme potencial" a ser explorado, segundo Moreno, que também considera que a Eurorregião deve ser "um instrumento útil e aberto" à cidadania, com políticas de participação.

Moreno defendeu que a iminência de um novo marco europeu abre a oportunidade de "impulsionar" a Eurorregião como "um comboio de alta velocidade", podendo-se alcançar uma "eclosão" da região que deve gerar "mais e melhores oportunidades".

O Presidente andaluz salientou que estas três regiões representam 21% da superfície da Península Ibérica, concentram mais de 9,5 milhões de habitantes e são uma "ponte" entre a Europa e África e, portanto, têm "um futuro longo e promissor".

"Temos que saber jogar bem as nossas cartas diante da Europa para convencer com argumentos sólidos" e conseguir "iniciativas e projetos", acrescentou Moreno, que acredita que se deve ser "mais ambiciosos" e explorar "todo o potencial".

Moreno ressaltou a promoção do trabalho conjunto com Portugal no combate aos incêndios, com o Centro Ibérico de Investigação e Luta contra os Incêndios, financiado com fundos europeus.

Para prevenir e combater estes incêndios, está-se a trabalhar nas "tecnologias de ponta" na Europa, com um projecto que visa fazer deste centro uma referência "líder", também a nível mundial.

Nesta linha, a Conselheira andaluza de Agricultura, Pesca, Pecuária e Desenvolvimento Sustentável, Carmen Crespo, comprometeu-se a aumentar a colaboração e coordenação na extinção dos "incêndios de sexta geração", que são rápidos e difíceis de controlar, e destacou o salto tecnológico que está a ser dado.

Está a ser desenvolvido um protocolo comum e trabalha-se na monitorização por satélite, na aplicação de mapeamento digital, drones e algoritmos matemáticos, entre outros.

Por sua parte, a Secretária de Estado da Valorização do Interior de Portugal, Isabel Ferreira, salientou os "indicadores importantes" da colaboração transfronteiriça nesta Eurorregião e apelou a uma reflexão sobre o trabalho a realizar nos próximos anos para tirar partido do novo marco europeu.