EFELisboa

A Procuradoria portuguesa abriu uma investigação sobre o acidente entre um comboio e uma máquina que fazia reparações na via que provocou dois mortos na passada sexta-feira em Soure, no distrito de Coimbra.

A abertura da investigação foi confirmada esta terça à EFE pela Procuradoria, que informou que está nas mãos do Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra, com a colaboração da Polícia Judiciária.

O acidente, que deixou dois mortos -os trabalhadores que operavam a máquina- e 44 feridos, 3 dos quais continuam internados, está também a ser investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários luso.

Num relatório preliminar dado a conhecer sábado, o gabinete avançou que a principal hipótese é que a colisão tenha sido causada por erro humano, já que o veículo de manutenção ignorou um sinal vermelho e continuou a marcha, introduzindo-se na via na qual o comboio passou minutos depois.

As máquinas de manutenção não contam com um sistema de controlo de velocidade, recorda o relatório, pelo que "não se desencadeou o travão automático" que teria conseguido parar o veículo antes de chegar a um ponto de perigo.

A Infraestruturas de Portugal (IP), a empresa pública para a qual os dois falecidos trabalhavam, explicou que não foi possível instalar o sistema de controlo de velocidade devido a uma "situação muito complexa desde o ponto de vista técnico" que só foi resolvida há dez dias.

A empresa também abriu uma investigação interna sobre o acidente.

No comboio, um Alfa Pendular que pode chegar a alcançar os 220 quilómetros por hora, do qual descarrilaram as duas primeiras carruagens, viajavam 212 pessoas.