EFELisboa

Um muro junto ao rio Tejo em Lisboa vai transformar-se numa das maiores obras de arte pública da cidade graças ao projeto Alfa Bravo, que reúne neste domingo voluntários e pessoas sem-abrigo para pintar uma corrente pictórica de 3,8 quilómetros.

A iniciativa junta cerca de 200 pessoas, entre coordenadores e voluntários, dos quais uma treintena são sem-abrigo, para recuperar um muro construído para unir o centro de Lisboa com a zona da Expo de 1998.

O muro está formado por 3.276 blocos que se estendem de forma constante e ondulada ao longo de 3,8 quilómetros, que agora vão ficar cheios de cor numa obra de arte participativa.

"Estabelece uma medida, uma espécie de régua que mede a cidade", explica a EFE o autor da obra, o artista português António Guimarães Ferreira, que define o muro como um "grande organizador urbano".

A estrutura, que estava esquecida, irá ficar agora sob uma cadência que irá do vermelho ao verde, com as cores do Código Internacional de Navegação Marítimo.

Uma "universalidade" procurada pelo próprio artista: "São uma linguagem internacional, não estão relacionados com países ou barreiras culturais, mas com toda a gente que utiliza o mar e precisa entender essa linguagem", assinala.

A iniciativa também pretende unir os cidadãos para que pensem na sua cidade e em como aproveitar o espaço urbano que constitui o muro, que pode ser percorrido a pé em algo menos de uma hora.

Todos os trabalhos de pintura vão realizar-se neste domingo, com a ajuda dos 170 voluntários que foram à Open Call lançada pelo projeto, à qual responderam pessoas de todas as idades e de diferentes países, não apenas portugueses.

Uma parte do muro é habitada por pessoas sem-abrigo, pelo que foi organizada uma ação de reintegração através do Núcleo de Planeamento e Intervenção de Sem-abrigo.

Um total de 31 pessoas sem-abrigo participam no projeto, com remuneração.

"Criamos as condições para que também essas pessoas possam, como qualquer outra, participar e pensar na sua cidade, um espaço que também conhecem, às vezes de forma diferente aos outros mas que também é delas", disse Guimarães Ferreira.

O artista assegura que tem "muito interesse em continuar a explorar a cidade e o espaço público".

"Tenho vontade de fazer mais coisas, mas não será a mesma fórmula. Este projeto existe desta forma porque esse muro é daquela forma", conclui.