EFELisboa

O projeto para construir um segundo aeroporto que sirva Lisboa, pensado para a área do Montijo, recebeu esta terça-feira um novo entrave, desta vez da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), pois o plano não conseguiu apoio unânime das Câmaras Municipais junto da zona.

A ANAC recusou hoje pronunciar-se acerca da "viabilidade da construção do aeroporto" do Montijo, algo que lhe foi solicitado em janeiro pela Aeroportos de Portugal (ANA), pois não há um apoio unânime ao projeto por parte dos municípios "potencialmente afetados" pela sua criação.

A Autoridade de Aviação recorda que existe a oposição frontal das autarquias próximas do Montijo, Moita e Seixal, e dado que a lei estabelece que é obrigatório o apoio unânime dos municípios circundantes, não se pode pronunciar sobre o assunto.

A decisão da ANAC representa um novo entrave para a construção do aeródromo do Montijo, já que se o regulador não se pronuncia o projeto não pode avançar para a fase seguinte.

O novo aeroporto está pensado para aliviar o tráfego do Humberto Delgado de Lisboa, saturado com a explosão turística vivida por Portugal nos últimos anos.

Segundo os cálculos do Governo português, liderado pelo socialista António Costa, com a nova infraestrutura, a capital poderá passar de 22 milhões de passageiros que transportava anualmente antes da pandemia de coronavírus a 50 milhões.

Mas a Moita e o Seixal alegaram que iria trazer demasiados impactos negativos, como a poluição sonora e atmosférica ou danos à zona do estuário do Tejo, uma preocupação partilhada pela associação ambientalista Zero, que hoje pediu mais reflexão depois de conhecer a decisão da ANAC.

A Zero vê a decisão do regulador como "uma nova oportunidade para repensar todo o projeto do sistema aeroportuário da região de Lisboa", disse em comunicado, no qual pede "aproveitar a diminuição da pressão sobre o setor da aviação" que se vive atualmente com a pandemia.