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Empreendedoras espanholas e portuguesas do setor alimentar, moda e assessoria em imagem pessoal, entre muitos outros, tornaram realidade sonhos de aprendizagem, crescimento e independência graças ao projeto europeu INTREPIDA e à Fundação Tres Culturas del Mediterráneo.

A fundação, com sede em Sevilha, já tinha experiência em iniciativas similares entre Espanha e Marrocos, e apoiados pelos "bons resultados", os seus responsáveis decidiram tentar a sorte com o projeto INTREPIDA (Internacionalização das Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças).

Assim explica à Efe a responsável de projetos europeus da fundação, Catalina Bejarano, ao detalhar que desde 2017 estão imersos no INTREPIDA, que conta com o financiamento do programa Interreg Espanha-Portugal (POCTEP 2014-2020) com Fundos Feder da União Europeia (UE).

O objetivo do INTREPIDA é impulsionar a competitividade das pequenas e médias empresas geridas por mulheres no território transfronteiriço da Andaluzia, Algarve e Alentejo, promovendo a sua internacionalização através de novos modelos de desenvolvimento e cooperação empresarial.

Entre os perfis das beneficiadas do projeto, que se vai prolongar até dezembro, há mulheres que decidiram empreender porque tinham vocação e nunca antes se tinham atrevido, enquanto outras são movimentadas pela conciliação familiar ou o desejo de viver numa área rural, segundo Bejarano.

"Motivam-nos esses perfis (...), são pequenos sonhos que nos fazem também sonhar a nós", comenta Bejarano.

Também se destaca a importância de superar "a distância histórica e emocional" entre Espanha e Portugal para dar início a mais projetos de colaboração entre mulheres, aproveitando as "facilidades" da proximidade entre os dois países.

"Estamos sobretudo a criar aproximação, a vontade de dizer 'vou conhecer esta empresária, vou ver como faz, se podemos trocar produtos nas lojas'", resume.

O primeiro passo para uma potencial aproximação pode ser consultar e fazer parte do guia de empresárias INTREPIDA, uma ferramenta onde se procuram empresas por área geográfica, nome ou setor.

Um bem-sucedido exemplo de cooperação, de acordo com Bejarano, aconteceu em fevereiro passado no marco do Salão Internacional da Moda Flamenca (SIMOF) e em coincidência com o 25º aniversário do evento.

Foi lá que uniram forças a empresa Sigues, liderada pela portuguesa Sílvia Rodrigues desde Loulé, no Algarve, e a Mariblu, fundada pela espanhola Marisol Torres em Cádiz.

Tanto Sílvia como Marisol dedicam-se aos complementos feitos com papel: A Sigues especializa-se em bijuteria, enquanto Mariblu utiliza-o para criar flores artificiais para chapéus e ramos.

O que fizeram na SIMOF, juntas, foi apresentar complementos de flamenco, como chapéus e pendentes, com papel resistente à humidade, e Rodrigues foi a primeira portuguesa convidada a expôr as suas criações na feira.

Por outro lado, uma das iniciativas mais valorizadas dentro do projeto são as chamadas "reuniões INTREPIDA", que Bejarano define como "um caminho de ida e volta" que está a permitir, além disso, "encorajar a um consumo mais consciente através do conhecimento das empresárias e dos seus produtos".

Em maio passado uma dessas reuniões levou Elsa Cardoso, que desde 2012 dirige em Málaga um negócio de massa artesanal, à cidade portuguesa de Albufeira.

"O importante é saber que não estás só, que há muita gente igual a ti", anota Cardoso à Efe sobre a sua experiência no projeto INTREPIDA, que lhe permitiu ficar conhecida com colaborações como a oficina de elaboração de massa recheada que ofereceu aos alunos do Centro de Formação Profissional para o Setor Alimentar de Albufeira.

Cardoso considera que em Portugal "a mulher não é encorajada a empreender", pelo menos quanto a indústria, hotelaria ou produção, mas encontrou que há muitas "muito recetivas" e com necessidade de mais "apoio ao nível estatal".

Uma das últimas a beneficiar-se das "reuniões INTREPIDA" foi a empresária portuguesa Alexandra Vanstalle, fundadora da By Vanstalle, uma consultora em imagem pessoal e assessoria de Loulé (Algarve).

Depois de participar em março num encontro de empreendedoras em Évora (Portugal), Vanstalle viajou em junho a Sevilha para dar a conhecer o seu trabalho e "empoderar mulheres que querem comunicar num mundo muitas vezes tão masculino", segundo afirma à Efe.

As "dúvidas, dificuldades e inseguranças" das mulheres que querem empreender "são as mesmas" em Portugal do que em Espanha, pelo que a experiência lhe "permitiu melhorar e aprender", acrescenta Vanstalle.

"As raparigas de Espanha deram-me truques para as redes sociais (...), ajudamo-nos a chegar além e gostaria de continuar porque foi super positivo", resume.

Miriam Burgués