EFELisboa

O novo presidente da companhia aérea portuguesa TAP, Ramiro Sequeira, assumiu funções esta quinta-feira, uma mudança que acontece depois do Estado português ter aumentado a sua participação no capital da companhia até 72,5%.

Sequeira substitui no cargo Antonoaldo Neves, que tinha sido designado pelos acionistas privados da TAP, dois meses e meio depois de se ter alcançado um acordo com o Governo português para alterar o conjunto de acionistas e injetar capital público na companhia.

O novo presidente, de 38 anos, era diretor de operações da empresa e passou anteriormente 13 anos em Espanha, com funções operativas no grupo IAG.

Sequeira foi designado presidente depois do Estado, que tinha 50% do capital, ter passado a ser proprietário de 72,5%, enquanto que 22,5% se mantém em mãos do empresário português Humberto Pedrosa e o 5% restante com os trabalhadores.

O outro acionista privado da companhia, David Neeleman -dono da companhia aérea brasileira Azul-, abandonou o conjunto de acionistas.

O acordo previa também uma injeção de capital de 1.200 milhões de euros, parte dos quais foram já recebidos pela empresa, que se encontra numa situação muito delicada devido à pandemia de coronavírus.

A COVID-19 levou a TAP a reduzir a sua operação de 3.000 voos semanais a apenas cinco durante os piores momentos e a suspender temporariamente o contrato de 90% dos trabalhadores.

A companhia recuperou parte da sua operação e, embora os funcionários já tenham voltado ao ativo desde que acabou o plano de 'lay-off', grande parte do plantel está com horários e salários reduzidos.

A empresa empregava cerca de 10.600 pessoas a finais de 2019, mas nos últimos meses saíram 600 trabalhadores, e em breve sairão mais 300, segundo a imprensa local, que assinala que a TAP não está a renovar os contratos temporários.

A companhia aérea está a preparar um plano de restruturação que será previsivelmente apresentado em outubro e que poderá compreender uma maior redução dos trabalhadores.

O ministro de Infraestruturas português, Pedro Nuno Santos, avisou esta semana que a "saída desta situação vai representar muitos sacrifícios".