EFELisboa

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado foi condenado esta segunda-feira a seis anos de prisão por três delitos de abuso de confiança na chamada "Operação Marquês", o caso que tem como principal arguido o antigo primeiro-ministro José Sócrates.

O Tribunal Central Criminal de Lisboa deu "como provado a quase totalidade dos factos da acusação", segundo recolhe a sentença contra Salgado, julgado por se apropriar de aproximadamente 10,7 milhões de euros através de três transferências.

Estas transferências foram realizadas desde a Espírito Santo Enterprises, que funcionava como "caixa B" do Grupo Espírito Santo, a sociedades offshore controladas por Salgado.

A defesa do antigo banqueiro tinha pedido a absolvição pois o seu cliente sofre de Alzheimer, mas os juízes limitaram-se a assinalar que a doença ficou provada e avançaram com a condenação.

Salgado foi obrigado ainda a entregar o seu passaporte e está proibido de sair do país sem autorização, pois o procurador solicitou o agravamento das medidas de coação ao entender que havia "perigo de fuga".

A defesa já anunciou que vai recorrer da pena e criticou as novas medidas aplicadas ao ex-banqueiro.

"A condenação com pena efetiva de alguém que sofre a doença de Alzheimer é uma condenação que, desde aquilo que parece a lei e também o humanismo e a dignidade humana, não é aceitável", disse o seu advogado, Francisco Proença de Carvalho, à saída do tribunal.

Proença de Carvalho considerou que a decisão de lhe retirar o passaporte esteve influenciada pelo caso de outro antigo banqueiro português, João Rendeiro, que fugiu em 2021 depois de ser condenado à prisão e foi detido posteriormente na África do Sul.

Salgado, de 77 anos, não esteve presente na leitura da sentença.