EFEPorto

Representantes das principais organizações sindicais europeias e da família social-democrata vão reivindicar esta quinta-feira no Porto (Portugal) o modelo social comunitário nas vésperas da cimeira que reunirá nesta cidade portuguesa os líderes do bloco europeu.

Na cimeira social do Porto, convocada entre os dias 7 e 8, instituições, governos e parceiros sociais apoiarão o plano de ação recentemente apresentado que desenvolve o Pilar Europeu dos Direitos Humanos, um compromisso alcançado em 2017 que pouco avançou em quatro anos.

Na reivindicação de uma Europa que não esqueça os direitos sociais no caminho para a recuperação pós-covid, o secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC, siglas em inglês), Luca Visentini, irá liderar um evento organizado pelos sindicatos no Porto horas antes do início da cimeira.

Junto aos sindicatos vão estar o anfitrião da cimeira comunitária, o primeiro-ministro, António Costa, e o Comissário Europeu para o Emprego, Nicolas Schmit, entre outros.

Os partidos social-democratas europeus também se reunirão amanhã na cidade portuguesa antes do início da cimeira.

A Presidência portuguesa da União Europeia (UE), que teve início em janeiro e terminará a 30 de junho sob o lema "é tempo de agir", vê esta cimeira como o culminar do seu mandato de seis meses e um marco na consolidação do modelo social europeu.

"No Porto, vamos passar da declaração à ação", resumiu o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, numa entrevista com a Efe esta semana.

A meta, até 2030, passa por reduzir a pobreza em 15 milhões de pessoas -cinco das quais crianças-; aumentar a taxa de emprego para 78%; proporcionar formação a 60% dos trabalhadores; reduzir a diferença salarial entre géneros e reduzir as taxas de abandono escolar, entre outras medidas ambiciosas.

A resposta à crise pós-covid "só pode ser alcançada através de um estado social forte", defendeu também a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho.

"Os valores sociais da Europa e a dimensão da solidariedade são os princípios que nos unem como sociedade", acrescentou a ministra numa entrevista à Efe, na qual apelou ao "aprofundamento" desta dimensão com instrumentos como o Pilar Europeu dos Direitos Sociais.

Pouco foi revelado sobre os detalhes do programa do Porto. Segundo a organização portuguesa, a maioria dos líderes europeus participará pessoalmente no encontro, embora alguns, como a alemã Angela Merkel, já tenham confirmado a sua participação por videoconferência.

A cimeira UE-Índia será também realizada por videoconferência no dia 8, tendo como objetivo impulsionar as relações políticas e comerciais entre as duas partes, outro dos compromissos da Presidência portuguesa.