EFELisboa

O primeiro debate com seis candidatos às eleições legislativas do próximo 6 de outubro em Portugal, realizado esta quarta-feira, deixa patente a tranquilidade do primeiro-ministro e candidato socialista, António Costa, que só perdeu os nervos com o democrata-cristão CDS-PP.

Foi o mais apelativo do encontro, organizado pelas emissoras TSF, Rádio Renascença e Antena 1, muito esperado porque reuniu pela primeira vez antes das eleições legislativas do próximo 6 de outubro os candidatos a formar governo dos seis grandes partidos presentes na Assembleia da República.

O frente a frente, que será completado com outro debate a seis na televisão na próxima segunda-feira, 23 de setembro, apresentava-se como a grande oportunidade para ver se se confirmava a tendência do "todos contra Costa" que os especialistas auguravam, tendo em conta que o atual primeiro-ministro parte como favorito nas sondagens.

As sondagens outorgam-lhe intenções de voto à volta de 40%, perto da maioria absoluta e a uma distância considerável do segundo partido e líder da oposição, o PSD (centro-direita), que obteria 23%.

Mas no final o líder socialista manteve a distância e a calma, e durante as duas horas de debate só perdeu os nervos com o partido mais à direita da câmara, o CDS-PP, cuja expectativa de voto é de apenas 4,9%.

O detonante foi a corrupção, que todos os partidos coincidiram na necessidade de combater mais, embora sem acordo em como; neste ponto, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, confessou-se "surpreendida" de que Costa defendesse "o que não fez em quatro anos", em alusão à "exiguidade de meios".

"Foi nos últimos meses que permitiu a contratação de novos inspetores", lembrou Cristas, fazendo o primeiro-ministro explodir, que lhe pediu, muito irritado, que diga que meios se ampliaram enquanto ela esteve no Governo, há duas legislaturas.

Foi o único momento tenso de um debate que dedicou a maior parte do seu tempo a falar sobre o futuro e sustentabilidade da segurança social e as pensões, num país cuja idade média ultrapassa já os 44 anos, e uma eventual reforma do sistema político.

Os portugueses ouviram propostas que vão desde pôr um teto às pensões mais elevadas, defendido pelo partido animalista PAN, a que os trabalhadores se reformem mais tarde mas os seus dias sejam mais reduzidos nos últimos anos, ideia do PSD.

Por sua vez, António Costa limitou-se a lembrar o conseguido nos últimos anos de legislatura, nos quais o seu Governo reverteu "todos os cortes nas pensões" efetuados durante o resgate de Portugal.

Também esteve à margem quando se debateu sobre a possibilidade de reduzir o número de deputados, limitando-se a ressaltar que os 230 membros do plenário não são muitos caso se leve em conta que Portugal não tem um Senado.