EFELisboa

A companhia aérea portuguesa TAP comunicou esta segunda-feira que não compreende os motivos pelos quais o Governo da Venezuela suspendeu por 90 dias as operações da empresa no país e garantiu que cumpre os requisitos legais e de segurança exigidos pelas autoridades.

"A TAP não compreende as razões para esta suspensão, uma vez que cumpre todos os requisitos legais e de segurança exigidos pelas autoridades de ambos os países. Esta é uma medida pesada que prejudica os nossos passageiros", disse à Efe uma fonte oficial da companhia.

A empresa "não teve sequer a possibilidade de exercer o princípio da contradição" antes da medida de suspensão, disse a mesma fonte.

O Governo da Venezuela anunciou esta segunda-feira a suspensão das operações da TAP no país durante 90 dias, com o objetivo de "proteger a segurança" após a abertura de investigações sobre a suposta entrada de explosivos num voo da companhia aérea portuguesa.

As investigações referem-se a alegadas falhas de segurança no voo TP173, que chegou a Caracas vindo de Lisboa na passada terça-feira, no qual viajavam o líder da oposição Juan Guaidó -que é reconhecido por mais de 50 países como presidente interino- e o seu tio, Juan José Márquez.

O Governo de Nicolás Maduro disse nesse mesmo dia que o tio de Guaidó, que foi detido, transportou naquele voo explosivos sintéticos, coletes à prova de bala não declarados e um plano, escrito em inglês, para cometer atentados no país.

Guaidó rejeitou no sábado passado as acusações contra o seu tio e advertiu que "é impossível colocar material explosivo numa companhia comercial" na Europa.

O executivo venezuelano também acusou Portugal de tentar "minimizar a grave situação" e de ignorar os riscos de segurança causados pelas alegadas irregularidades no voo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, classificou as acusações como "manobras" para desviar a atenção das agressões sofridas por Guaidó ao regressar à Venezuela.