EFELisboa

A companhia aérea portuguesa TAP registou entre janeiro e setembro perdas de 700,6 milhões de euros, frente aos 110,8 milhões que perdeu no mesmo período de 2019, devido ao impacto da pandemia de covid-19, à qual espera sobreviver com um plano de restruturação que irá levar a Bruxelas em dezembro.

Segundo a informação enviada pela companhia esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), houve uma "promissora recuperação da procura" no terceiro trimestre, tendência que se reverteu a meio de agosto devido à "imposição de novas restrições nas viagens".

Assim, no terceiro trimestre a capacidade caiu 79% e as receitas caíram 81% em comparação com o mesmo período de 2019.

Isto impediu que o verão tivesse um impacto positivo, pelo que no final do terceiro trimestre a companhia acumulou perdas de 118,7 milhões, um agravamento de 200% em comparação com o mesmo período de 2019, em que registou um lucro de 1,2 milhões de euros.

Entre janeiro e setembro, a TAP transportou menos 70% de passageiros -o que representa nove milhões de pessoas-.

As receitas totais subiram a 841,3 milhões, menos 66,2% que nos nove primeiros meses de 2019.

Os custos operativos caíram 40,7%, até 1.451 milhões.

A TAP está atualmente a preparar um plano de restruturação para fazer frente à crise causada pela pandemia que deverá chegar à Comissão Europeia antes de dia 10 de dezembro.

O plano é uma contrapartida do acordo alcançado entre o Governo e os acionistas privados para aumentar a presença estatal no capital, que prevê ainda uma injeção de 1.200 milhões de euros.

O Estado detém atualmente 72,5% do capital, depois de aumentar a sua presença face ao forte impacto sofrido com a pandemia, enquanto o empresário Humberto Pedrosa tem 22,5% e os trabalhadores da empresa o 5% restante.

Segundo o Sindicato de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), maioritário do setor, a restruturação desenhada pela companhia requer baixar salários em 25% e despedir cerca de 750 trabalhadores, além de reduzir a frota em aproximadamente vinte aviões.

Junta-se a isto outras cerca de mil saídas de trabalhadores que não tiveram os seus contratos renovados desde março e outros aos quais não serão renovados nos próximos meses, pelo que a TAP perderá no total perto de 1.800 funcionários.

A TAP contava com mais de 10.000 trabalhadores antes da pandemia.