EFELisboa

Os enfermeiros portugueses reagiram hoje com protestos e o anúncio de ações legais contra a decisão do Governo de pôr fim por decreto à greve do setor, que obrigou a suspender milhares de operações e mantém a saúde pública lusa em xeque.

O Sindicato Democrático de Enfermeiros Portugueses, um dos convocantes da greve, anunciou a apresentação de uma providência cautelar para suspender a intervenção governamental por considerar que carece de fundamento.

"É uma greve lícita", defendeu hoje Ana Rita Cavaco, porta-voz sindical, que afirmou que não há justificação para o decreto de intervenção ditado pelo Governo porque o coletivo cumpriu com os serviços mínimos.

Segundo a sua opinião, a tensão criada pelo protesto responde à atitude do Executivo, que "ao insistir em não negociar empurrou-nos a estas situações".

O decreto, que entra hoje em vigor, determina a "intervenção civil" na greve de salas de cirurgia ao considerar que não se cumpriram os serviços mínimos.

A intervenção é uma medida extraordinária reservada para situações "particularmente graves" e destinadas a assegurar o funcionamento de serviços essenciais, usada apenas um par de vezes nos 45 anos de democracia portuguesa.

Segundo dados do Ministério da Saúde, só durante os dois primeiros dias da greve foram canceladas 650 operações, 57% das intervenções programadas.