EFESeia (Portugal)

A última escrivaninha do poeta mais internacional de Portugal, Fernando Pessoa, é exibida pela primeira vez a partir desta terça-feira no Museu do Pão da cidade portuguesa de Seia, no Parque Natural Serra da Estrela (Centro) como parte de uma exposição sobre a poesia e o pão.

Trata-se de uma escrivaninha que pertenceu a um sobrinho do poeta, Luís Miguel Rosa Dias, e foi comprada em maio passado pelos proprietários do Museu do Pão num leilão online.

A escrivaninha e os singulares óculos de Fernando Pessoa foram comprados por 50.000 euros, explicou hoje à EFE Tiago Quaresma, um dos responsáveis do museu, que agora não os vendiam "nem por um milhão de euros", assegurou.

Uma outra escrivaninha do autor de "O Livro do Desassossego" encontra-se ainda na Casa de Fernando Pessoa em Lisboa, enquanto outra foi adquirida há alguns anos por um colecionador no Brasil.

A exposição no Museu do Pão inclui também um exemplar da primeira edição de "Mensagem", composta por 44 poemas e uma das poucas obras que Pessoa (Lisboa, 1888-1935) publicou em vida.

Há também uma lista de poemas alusivos ao pão do próprio Fernando Pessoa, tais como "Baila o Trigo quando há vento" ou "Repousa sobre o trigo".

Uma exposição peculiar que abre um espaço a outros autores de Portugal, Brasil e Espanha que dedicaram parte da sua obra ao pão.

É o caso de Cora Coralina (Goiás, Brasil, 1889-1985), cujo poema "O Chão e o pão" partilha uma sala com "Oda del pan" de Pablo Neruda e com obras do brasileiro Olavo Bilac e a "Oração do Pão" do português Guerra Junqueiro.

O Museu do Pão em Seia é um dos museus mais visitados do interior de Portugal, com uma média de 100.000 pessoas por ano.

Aberto em 2002, o museu propõe um passeio pela história através de mais de uma centena de tipos diferentes de pão que são feitos nas diferentes regiões de Portugal.

O seu mais antigo vestígio é uma moeda romana de 1900 anos atrás onde podem ser vistas duas espigas, que representa a chegada da cultura do pão à Península Ibérica.

Esta é uma oportunidade para "desfrutar do tempo e da segurança", disse durante a abertura da exposição Pedro Machado, presidente do organismo Turismo Centro de Portugal, que destacou as possibilidades que estão abertas aos visitantes desta região, a menos afetada pela pandemia no país.

Por Carlos García