EFELisboa

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, pediu a continuação da inovação digital, que segundo disse "desafia" o impacto da covid-19 na economia, durante a sua participação esta quarta-feira na abertura da Web Summit de Lisboa, que este ano reúne mais de 100.000 pessoas de forma completamente digital devido à pandemia.

Através de videoconferência, o tom geral desta edição, a quinta acolhida por Lisboa, Von der Leyen destacou a relevância que a tecnologia demonstrou ter este ano e disse esperar que esta seja a "década digital da Europa".

"Devido à pandemia vimos inovação e digitalização que demora anos em apenas semanas. Negócios de todo o tipo digitalizaram as suas opções, desde produção a vendas, e graças a isto sobreviveram aos confinamentos", disse.

A presidente da Comissão agradeceu aos que "exploram a última fronteira da inovação", muito presentes neste evento, no qual participam 2.500 empresas emergentes (start ups) e 1.250 investidores, porque a sua atividade "desafia" a tendência negativa da economia.

Para apoiar esta afirmação, Von der Leyen assegurou que "só em 2020 o valor das empresas tecnológicas europeias aumentou quase 50%" e que o setor tecnológico europeu "está a atrair mais capital do que nunca", sobretudo destinado a start ups.

"Há mais desenvolvedores de software aqui que nos Estados Unidos", acrescentou.

Von der Leyen admitiu que as digitais europeias "tiveram mais obstáculos" na Europa nos últimos anos em termos de infraestrutura e regulação, e detalhou como espera que estes problemas sejam resolvidos com nova legislação para mudar o panorama na nova década.

Mais investimento público, criação de "ecossistemas de inovação" e aposta por elementos como o 5G são alguns dos ingredientes, além de normas que garantam que "os valores do mundo offline se respeitem no mundo online".

A sua participação foi precedida pelos habituais discursos de boas-vindas do responsável da Web Summit, Paddy Cosgrave, e do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que destacou que "uma Web Summit digital é diferente, mas mantém o espírito" das edições anteriores.

Atrasada um mês a respeito do seu calendário habitual, à espera que a pandemia desse um alívio que nunca chegou, a Web Summit de 2020 aumenta os seus participantes, apesar de desta vez ninguém sair de casa: dos 70.000 que participaram em 2019, passa-se a algo mais de 100.000.

A partir desta quarta-feira e até à próxima sexta, 800 oradores de 150 países e 2.500 jornalistas vão acompanhar o evento, que conta com vários canais de streaming para seguir os diferentes temas que irá abordar, muito marcados pela pandemia.

Como o mundo laboral vai mudar com o teletrabalho, a análise de empresas com resultados espetaculares devido à covid, tais como a plataforma para reuniões Zoom e a Amazon, as taxas digitais, o futuro dos Jogos Olímpicos de Tóquio ou o auge da aplicação TikTok vão ser protagonistas em algumas das conversas.

Sem esquecer os habituais rostos conhecidos que dão cor ao evento, que este ano serão a atriz e empreendedora Gwyneth Paltrow, o ator Chris Evans, conhecido por interpretar o Capitão América no cinema, a tenista Serena Williams, ou o cineasta Ridley Scott.

A grande diferença é sofrida por Lisboa, que irá passar este ano sem os cerca de 300 milhões anuais em lucro que o evento gera -a maioria para hotéis e restaurantes-.

Apesar disso, Portugal voltará a desembolsar este ano 11 milhões à Web Summit, uma quantidade anual acordada em 2018 como contrapartida à decisão do evento de fixar a sua sede na capital portuguesa durante uma década.