EFELos Angeles (EUA)

"Black Panther" não é apenas mais um filme de super-heróis. Além da grande presença de atores e produtores negros, a nova longa-metragem da Marvel, que promete bater recordes de bilheteira, concede às mulheres personagens mais completas e relevantes do que nunca.

"O que adoro sobre a forma com a qual este filme representa as mulheres é que cada uma delas é uma personagem única, com os seus respetivos poderes e objetivos próprios. Temos o nosso próprio espaço nesse mundo, sem a necessidade de nos enfrentarmos", explicou Lupita Nyong'o na apresentação do filme.

"Acredito que seja uma mensagem muito poderosa para as crianças, sejam rapazes ou raparigas. Muitas vezes, no cinema, caímos na armadilha de que há poucas mulheres na história e, frequentemente, elas enfrentam-se. Há um espírito competitivo. Este filme acaba com essa noção. As mulheres aqui apoiam-se, tendo inclusive pontos de vista diferentes", acrescentou.

Em "Black Panther", T'Challa (interpretado por Chadwick Boseman), após a morte do pai, o rei de Wakanda, regressa ao lar, um reino africano isolado do restante do mundo, mas com um tremendo potencial tecnológico.

Nyong'o interpreta Nakia, uma espiã que manteve uma relação sentimental com o protagonista. Além disso, Danai Gurira ("The Walking Dead") é Okoye, encarregada das forças de segurança de Wakanda; Letitia Wright é a irmã de T'Challa, a cientista Shuri; e Angela Basset está na pele da rainha Ramonda, mãe do protagonista.

"O fato de haver tantas mulheres nesta história, trabalhando de igual para igual com os homens, faz com que o espectador comprove como a sociedade é muito mais efetiva dessa maneira, quando se permite que a mulher explore todo o seu potencial", comentou Nyong'o, nascida no México e criada no Quénia.

Na opinião de Gurira, ver essa representação de África no ecrã do cinema é um marco "fascinante e emocionante".

"Como cidadã do Zimbábue e dos Estados Unidos, sonhas sempre em ver no cinema o poder e o potencial do lugar de onde vens. Mas o mundo tem uma visão muito inadequada de África. Esta história serve para curar, em parte, essas feridas e celebrar as diferentes culturas do continente", avaliou a atriz.

Gurira considera que "Black Panther" consegue subverter o prisma com o qual cinema se habituou a representar África ao longo da história. "E fazer isso com a dimensão épica de uma produção da Marvel é uma mudança profunda", comentou.

Foram necessários dez anos e 18 filmes da Marvel para chegar a este ponto.

"Eu senti-me realmente orgulhosa quando a minha filha e o meu filho foram assistir ao filme comigo porque nos seus rostos e nos seus espíritos dava para notar que se estavam a ver representados. Saíram do cinema acreditando ainda mais em si próprios", disse Bassett.

O filme, que estreia dia 15 de fevereiro em Portugal, conta com Ryan Coogler como realizador e guionista, tarefa que compartilhou com Joe Robert Cole, também negro.

O elenco inclui Michael B. Jordan, Daniel Kaluuya, Forest Whitaker, Sterling K. Brown e apenas dois atores brancos: Martin Freeman e Andy Serkis. O rapper Kendrick Lamar co-produziu a banda-sonora, na qual participa com cinco músicas.

A presença das mulheres na produção não foi exclusivamente em frente das câmaras. Ryan Coogler reuniu uma equipa que conta com Rachel Morrison (a primeira mulher nomeada ao Óscar de melhor fotografia, por "Mudbound"), a figurinista Ruth E. Carter, a designer de produção Hannah Beachler, a assistente da direção Lisa Satriano, a editora Debbie Berman e Victoria Alonso, executiva da Marvel e produtora-executiva do filme.

"Não foram contratadas por serem mulheres; foram contratadas porque eram as melhores para os postos", justificou o realizador.

O próximo passo à frente que a Marvel pode estar disposta a dar é o lançamento de um filme com um super-herói latino.

"Acho que é possível. Mais que isso: acredito que seja provável, sim", disse o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, em declarações à Agência Efe durante a última edição da Comic-Con.

Antonio Martín Guirado